Lar Região BC vê ano difícil ao produtor, com crédito caro e custo da guerra em 2026

BC vê ano difícil ao produtor, com crédito caro e custo da guerra em 2026

por cristianenoberto
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O BC (Banco Central) aponta que o produtor rural vai enfrentar um 2026 mais difícil, com crédito caro e aumento dos custos de produção puxado pela alta das commodities energéticas com a guerra no Oriente Médio.

De acordo com a autoridade monetária, há um choque duplo: custos em alta puxados pela energia e crédito ainda restritivo, em um ambiente de elevada incerteza global e dificuldade de repasse integral desses aumentos para os preços agrícolas.

Segundo o RPM (Relatório de Política Monetária) divulgado pela autarquia nesta quinta-feira (26), os juros em 14,75% ao ano mantém o ambiente financeiro restritivo, o que encarece o financiamento de custeio e investimento no campo.

“O período prolongado de manutenção da taxa básica de juros em patamar contracionista propiciou evidências da transmissão da política monetária sobre a desaceleração da atividade econômica”, diz o documento.

Sem definição sobre a duração do conflito no Oriente Médio, o BC aponta deterioração do cenário global com impacto direto sobre preços, insumos e logística, e diz que dado aumento da incerteza, “reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária”

“Os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos”, destaca a autoridade monetária.

O relatório deixa claro que o choque de energia já está pressionando preços e pode se intensificar, o que deixa a autoridade em cautela.

“À medida que o conflito se extende, o fluxo de matérias-primas no Estreito de Ormuz fica comprometido, pressionando os preços para cima. A alta recente dos preços de energia já fez com que as expectativas de inflação se elevassem”, pontua o BC.

A autoridade monetária também vê com preocupação os custos dos insumos no campo, especialmente sobre a disponibilidade de fertilizantes e o aumento da demanda por biocombustíveis.

Os fatores logísticos relacionados ao trânsito de mercadorias no Oriente Médio também pressionam o produtor e tendem a ser repassados ao consumidor em forma de inflação.

“Nesse cenário, após finalizar 2025 em 4,3%, a inflação acumulada em quatro trimestres cai para 3,6% no primeiro trimestre de 2026. Depois, apresenta trajetória de alta, em boa medida advinda do aumento dos preços do petróleo, terminando 2026 em 3,9%”, destaca.

No entanto, esse repasse não ocorre de forma automática. Segundo o Banco Central, ele será “heterogêneo e dependerá do arcabouço de definição de preços de cada país”.

“A magnitude e a distribuição temporal dos repasses à inflação dependerão não só da intensidade e da duração do conflito, mas também da efetividade das respostas de mitigação. Dependerá também da persistência do choque de oferta sobre a atividade, quer por limitar a capacidade de produzir energia para além do conflito, quer por motivar reorganização defensiva adicional nas cadeias de suprimento”, destaca o texto.

O Banco Central também mostra que o movimento já chegou às commodities. De acordo com o relatório, os insumos apresentaram alta, após quatro trimestres de queda nas cotações em reais.

No agro, o BC aponta um descompasso entre custo e preço, mas chegando próximo da estabilidade, puxadas pelo preço da carne e óleo de soja.

“As commodities agropecuárias, por sua vez, apresentaram variação mais próxima da estabilidade, com altas de preços do boi gordo e do óleo de soja compensadas por cotações menores do café e do cacau. Apesar do avanço no trimestre, o IC-Br em reais ainda acumula queda de 9% desde o pico em janeiro de 2025”, diz o texto.

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