{"id":9163,"date":"2025-02-07T05:03:27","date_gmt":"2025-02-07T08:03:27","guid":{"rendered":"https:\/\/click-delphi.com.br\/noticia2025\/milei-transforma-argentina-em-grande-experimento-liberal-dizem-economistas\/"},"modified":"2025-02-07T05:03:36","modified_gmt":"2025-02-07T08:03:36","slug":"milei-transforma-argentina-em-grande-experimento-liberal-dizem-economistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/csimaster.com\/noticia2025\/milei-transforma-argentina-em-grande-experimento-liberal-dizem-economistas\/","title":{"rendered":"Milei transforma Argentina em grande experimento liberal, dizem economistas"},"content":{"rendered":"<div>\n<p>Falar das <strong>particularidades<\/strong> e <strong>controv\u00e9rsias<\/strong> da <strong>economia argentina<\/strong> j\u00e1 virou um lugar comum.<\/p>\n<p>Ao longo das d\u00e9cadas, a capital Buenos Aires passou da \u201cParis da Am\u00e9rica do Sul\u201d para <strong>palco de protestos massivos<\/strong>, com multid\u00f5es batendo panelas contra a <strong>degrada\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de vida<\/strong>.<\/p>\n<p>Um novo cap\u00edtulo dessa hist\u00f3ria come\u00e7ou em dezembro de 2023, com a <strong>ascens\u00e3o do economista Javier Milei<\/strong> ao comando do pa\u00eds e a transforma\u00e7\u00e3o da combalida economia argentina em um <strong>grande laborat\u00f3rio de experimentos liberais<\/strong>.<\/p>\n<p>Economistas ouvidos pela\u00a0<strong>CNN<\/strong> ressaltam o <strong>otimismo<\/strong> que as propostas do atual presidente da Argentina promovem, por conta de resultados como o equil\u00edbrio das contas p\u00fablicas, valoriza\u00e7\u00e3o do c\u00e2mbio em termos reais e o controle da infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um grande experimento liberal que \u00e9 ainda maior que o da [ex-primeira-ministra do Reino Unido, Margaret] Thatcher. Ela estava s\u00f3 focada na economia, e o Milei em uma s\u00e9rie de outras coisas. Est\u00e1 sendo uma verdadeira revolu\u00e7\u00e3o\u201d, diz Roberto Luis Troster, s\u00f3cio da Troster &#038; Associados e ex-economista-chefe da Federa\u00e7\u00e3o Brasileira de Bancos (Febraban).<\/p>\n<p>Comparando a gest\u00e3o de Milei com a de seus antecessores, Tony Volpon, ex-diretor do Banco Central (BC) para Assuntos Internacionais, professor-adjunto na Universidade de Georgetown e colunista do\u00a0<strong>CNN Money<\/strong>,\u00a0observa que o atual mandat\u00e1rio\u00a0\u201cest\u00e1 tendo mais sucesso e talvez tenha sucesso em realizar uma reforma mais duradoura\u201d.<\/p>\n<p>H\u00e1 d\u00e9cadas, a Argentina enfrenta uma crise econ\u00f4mica generalizada. Infla\u00e7\u00e3o, c\u00e2mbio deteriorado e falta de d\u00f3lares nos cofres p\u00fablicos s\u00e3o alguns dos fatores que limitaram a economia argentina nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>E no cerne de todos esses problemas, um fator em comum: gastos p\u00fablicos elevados.<\/p>\n<p>Para manter o n\u00edvel de suas reservas, a Argentina ainda contraiu uma d\u00edvida bilion\u00e1ria com o Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI). O empr\u00e9stimo, por\u00e9m, tamb\u00e9m se tornou uma das pedras no sapato dos argentinos \u00e0 medida que o pa\u00eds foi encontrando dificuldades para honrar o compromisso. Sucessivos governos passaram pela Casa Rosada sem conseguir solucionar o problema.<\/p>\n<p>E quando Alberto Fern\u00e1ndez, ex-presidente da Argentina, indicou seu ent\u00e3o ministro da Economia, Sergio Massa, para ser seu sucessor, a nomea\u00e7\u00e3o n\u00e3o caiu nas gra\u00e7as do eleitorado argentino.<\/p>\n<p>Quem ficou sob os holofotes na \u00faltima corrida presidencial argentina, em 2023, foi o libert\u00e1rio Javier Milei. O\u00a0<em>outsider<\/em> pol\u00edtico do partido <em>La Libertad Avanza<\/em> (\u201ca liberdade avan\u00e7a\u201d, em tradu\u00e7\u00e3o livre) venceu Massa com cerca de 55% dos votos.<\/p>\n<p>\u201cMilei chegou em um ponto no qual a sociedade vivia uma desordem em fun\u00e7\u00e3o de uma exaust\u00e3o de um estilo de governan\u00e7a de esquerda. Houve a op\u00e7\u00e3o de fazer algo radical e sair da mesmice, que em poucos anos de governo est\u00e1 tendo um sucesso acima do esperado\u201d, avalia Volpon.<\/p>\n<p>Milei prometeu uma agenda liberal\u00a0que causaria um \u201cchoque econ\u00f4mico\u201d na Argentina por meio de robusto corte de gastos e desregulamenta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Desde que assumiu o cargo, em dezembro de 2023, o libert\u00e1rio chamou a aten\u00e7\u00e3o de diversos agentes econ\u00f4micos, com sua agenda sendo chamada de \u201cexperimento extraordin\u00e1rio\u201d pela revista <em>The Economist<\/em>.<\/p>\n<p>Pouco antes de Milei completar um ano no cargo, a publica\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica afirmou que o argentino est\u00e1 conduzindo um dos mais radicais e extraordin\u00e1rios experimentos de liberalismo econ\u00f4mico desde a primeira-ministra do Reino Unido, Margaret Thatcher, que liderou o pa\u00eds de 1979 a 1990.<\/p>\n<p>Em entrevista ao\u00a0<strong>CNN Money<\/strong>, o ex-ministro da Fazenda, Ma\u00edlson da N\u00f3brega, observa que est\u00e1 ocorrendo \u201cuma das experi\u00eancias mais incr\u00edveis deste s\u00e9culo\u201d ao olhar para a grama do vizinho.<\/p>\n<p>\u201cMe surpreende a dimens\u00e3o das medidas, a maioria, ou quase, todas na dire\u00e7\u00e3o correta. Precisa livrar a Argentina do peso do populismo e da irresponsabilidade que t\u00eam caracterizado o pa\u00eds pelos \u00faltimos 70 anos. A Argentina \u00e9 o \u00fanico caso [recente] no mundo em que o pa\u00eds rico empobrece, e Milei est\u00e1 indo na dire\u00e7\u00e3o correta\u201d, pontuou da N\u00f3brega.<\/p>\n<p>Mas, no fim das contas, quais s\u00e3o as \u201cexperi\u00eancias\u201d que ocorrem neste \u201claborat\u00f3rio\u201d de pol\u00edticas liberais?<\/p>\n<h2>Terapia de choque<\/h2>\n<p>A Argentina colheu seus primeiros resultados superavit\u00e1rios em anos ao longo de 2024 gra\u00e7as \u00e0 pol\u00edtica de austeridade fiscal de Milei.<\/p>\n<p>Ao cortar gastos com programas sociais, reduzir a quantidade de ministros em seu gabinete e buscar se desfazer de estatais, o presidente argentino afirma estar promovendo uma maior \u201cefici\u00eancia estatal\u201d.<\/p>\n<p>\u201cComo sempre, o mercado entende que quanto mais liberalizado e desregulamentado melhor para a atividade econ\u00f4mica. Menor interven\u00e7\u00e3o do governo e maior restri\u00e7\u00e3o fiscal geram crescimento, maiores lucros e, no fim, \u00e9 melhor para a bolsa\u201d, pontua Mauro Rochlin, professor da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV).<\/p>\n<p>Elena Landau, economista e advogada s\u00f3cia da Sergio Bermudes Advogados, ressalta que \u201co investidor privado n\u00e3o quer interven\u00e7\u00e3o da economia e n\u00e3o quer ser parceiro do Estado. A n\u00e3o ser o ineficiente, que precisa de subs\u00eddio\u201d.<\/p>\n<p>\u201cMilei mostrou para a Am\u00e9rica Latina que quando voc\u00ea quer, voc\u00ea pode mudar a cultura de depend\u00eancia do Estado. \u00c9 um rompimento cultural, de mudar a rela\u00e7\u00e3o da sociedade com o Estado, um rompimento da carona que a elite leva no Estado\u201d, pontua Landau ao <strong>CNN Money<\/strong>.<\/p>\n<p>A advogada e Tony Volpon destacam a agenda, ainda em andamento, de desregulamenta\u00e7\u00f5es e privatiza\u00e7\u00f5es proposta por Milei.<\/p>\n<p>O presidente da Argentina adiantou nesta ter\u00e7a-feira (4) ao jornal La Naci\u00f3n que est\u00e1 trabalhando num decreto que fechar\u00e1 ou realizar\u00e1 a fus\u00e3o de 50 ag\u00eancias do governo.<\/p>\n<p>O entusiasmo do mercado \u00e9 claramente refletido no desempenho do \u00edndice Merval, a bolsa de valores argentina.<\/p>\n<p>Como efeito da \u201cterapia de choque\u201d de Milei, os super\u00e1vits obtidos pelos cofres p\u00fablicos argentinos j\u00e1 impactam em uma estabiliza\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o e da disparidade entre os c\u00e2mbios oficial e o do mercado paralelo \u2014 o chamado d\u00f3lar blue.<\/p>\n<p>Em detrimento aos resultados positivos, por\u00e9m, a pobreza e o desemprego cresceram na Argentina ap\u00f3s o corte de financiamento a diversos programas sociais.<\/p>\n<p>\u201cAssim como em toda revolu\u00e7\u00e3o, h\u00e1 ganhadores e perdedores. Mas, na m\u00e9dia, a economia do pa\u00eds est\u00e1 melhorando. A Argentina tem uma economia muito diferente, com uma crise cont\u00ednua, pa\u00eds crescendo pouco, infla\u00e7\u00e3o em alta, corrup\u00e7\u00e3o e Estado inchado. Por tanto, \u00e9 necess\u00e1ria essa reforma radical inv\u00e9s de um gradualismo\u201d, avalia Troster.<\/p>\n<p>\u201cMas quando voc\u00ea est\u00e1 preso num t\u00fanel e v\u00ea que a fila do lado come\u00e7a a andar, voc\u00ea se entusiasma. Se n\u00e3o est\u00e1 andando para todos, est\u00e1 para alguns e isso d\u00e1 entusiasmo para o resto\u201d, conclui o ex-Febraban.<\/p>\n<p>Volpon relembra que houve op\u00e7\u00f5es mais moderadas de ruptura, como a gest\u00e3o do empres\u00e1rio Mauricio Macri, que presidiu a Argentina entre 2015 e 2019.<\/p>\n<p>O in\u00edcio de seu governo foi um casamento com o mercado, ao promover ajustes fiscais que trouxeram um f\u00f4lego no primeiro momento. O div\u00f3rcio veio com a falta de sustentabilidade da pol\u00edtica de Macri, que enfrentou problemas pol\u00edticos na metade final de seu mandato e saiu do governo mal avaliado.<\/p>\n<p>\u201cHouve op\u00e7\u00f5es mais moderadas, mas o povo [argentino agora disse] \u2018vamos tentar algo mais radical j\u00e1 que o mais moderado fracassou\u2019. \u00c9 um risco, mas tamb\u00e9m havia o risco de ficar tudo na mesmice. Apostas tem que ser feitas\u201d, indaga o ex-BC.<\/p>\n<p>Troster e Ma\u00edlson da Nobr\u00e9ga ressaltam o fato de que, em detrimento do aumento da pobreza e do desemprego no pa\u00eds, a popula\u00e7\u00e3o argentina continua resiliente ao lado do presidente eleito em 2023.<\/p>\n<p>\u201cPara minha surpresa, a paci\u00eancia do povo argentino \u00e9 grande. Apesar de ter havido um aumento da pobreza, a popularidade dele aumentou. Isso mostra como o\u00a0povo argentino se cansou dos efeitos desastrosos do partido peronista na economia\u201d, enfatiza o ex-ministro da Fazenda do Brasil.<\/p>\n<p>Com a pol\u00edtica adotada por Milei, a infla\u00e7\u00e3o acumulada da Argentina encerrou o ano passado em 117,8%, ap\u00f3s atingir um pico de 289,4% em abril de 2024. Enquanto isso, em um ano, os resultados mensais ca\u00edram de uma alta de pre\u00e7os de dois d\u00edgitos (25,5% em dezembro de 2023) para menos de 3%.<\/p>\n<p>Por outro lado, o d\u00f3lar valorizou 27,4% na cota\u00e7\u00e3o oficial do pa\u00eds, enquanto o d\u00f3lar blue cerca de 25%.<\/p>\n<p>Apesar da desvaloriza\u00e7\u00e3o nominal \u2013 comparando quanto a divisa abriu e fechou no ano -, se corrigido pela infla\u00e7\u00e3o, o c\u00e2mbio argentino registrou um resultado positivo ao crescer menos que os pre\u00e7os do pa\u00eds, o que, deste ponto de vista, significa que valorizou.<\/p>\n<p>Com isso, Volpon argumenta que Milei \u201cclaramente est\u00e1 entregando o que prometeu na campanha\u201d.<\/p>\n<h2>Armadilha cambial<\/h2>\n<p>Por\u00e9m, os economistas ouvidos pela <strong>CNN<\/strong> acendem alertas, al\u00e9m do campo social, para uma potencial armadilha cambial na qual o pa\u00eds pode cair \u2014 e j\u00e1 observa sinais no seu cotidiano.<\/p>\n<p>Com essa \u201cdesvaloriza\u00e7\u00e3o controlada\u201d do c\u00e2mbio, que ganha da infla\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, os produtos comercializados por l\u00e1 acabam ficando mais caros na moeda norte-americana.<\/p>\n<p>No caso do brasileiro que vai ao pa\u00eds vizinho, o efeito \u00e9 ainda mais dr\u00e1stico tendo em vista a desvaloriza\u00e7\u00e3o do real vista no final do ano passado.<\/p>\n<p>Contudo, apesar de parecer positiva num primeiro momento, a valoriza\u00e7\u00e3o do peso argentino comparada \u00e0 infla\u00e7\u00e3o pode acabar se tornando um problema para o pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cA aprecia\u00e7\u00e3o do c\u00e2mbio gera uma perda de competitividade das exporta\u00e7\u00f5es e aumenta o incentivo \u00e0 importa\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, inibe o investimento\u201d, afirma Patr\u00edcia Krause, economista-chefe da Latin Am\u00e9rica Coface.<\/p>\n<p>Ao olhar para o cen\u00e1rio atual, Mauro Rochlin, da FGV, relembra o per\u00edodo em que Carlos Menem comandou a Argentina, na d\u00e9cada de 1990.<\/p>\n<p>\u00c0 \u00e9poca, Menem buscou conter a infla\u00e7\u00e3o no pa\u00eds intervindo no c\u00e2mbio e pareando os valores do peso argentino e do d\u00f3lar norte-americano.<\/p>\n<p>O per\u00edodo ficou popularmente conhecido pelos argentinos como <em>uno a uno<\/em> (\u201cum por um\u201d, em tradu\u00e7\u00e3o livre).<\/p>\n<p>Logo em seus primeiros dias de mandato, Milei jogou o valor do c\u00e2mbio oficial para as alturas, de modo que ficasse mais pr\u00f3ximo do d\u00f3lar blue e buscando, dessa maneira, equilibrar as duas cota\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cNaquela ocasi\u00e3o que ele [Menem] adotou um c\u00e2mbio fixo de um para um, aconteceu uma coisa parecida com esse cen\u00e1rio que eu estou descrevendo [que pode ocorrer agora]. A infla\u00e7\u00e3o foi controlada e, paulatinamente, a valoriza\u00e7\u00e3o do c\u00e2mbio tirou competitividade da exporta\u00e7\u00e3o e reduziu a entrada de d\u00f3lares\u201d, explica Rochlin.<\/p>\n<p>\u201cO pa\u00eds se viu em situa\u00e7\u00e3o de escassez de d\u00f3lar e n\u00e3o conseguiu segurar a paridade. A coisa explodiu\u201d, conclui.<\/p>\n<p>Caso o cen\u00e1rio se concretize, a Argentina voltaria a viver a espiral de falta de d\u00f3lares com a qual j\u00e1 teve de conviver.<\/p>\n<p>O economista da FGV aponta que, se de fato chegar-se a esse ponto, pode ser muito complicado de reverter o cen\u00e1rio pelas incertezas que ele imp\u00f5e.<\/p>\n<p>\u201cSe de fato a infla\u00e7\u00e3o for controlada, com uma pol\u00edtica fiscal restritiva, e isso inspirar maior confian\u00e7a, a Argentina pode, paulatinamente, retornar ao mercado financeiro internacional e receber d\u00f3lares por investimentos estrangeiros, assim aliviando essa sa\u00edda que ocorreria pelo lado comercial. Mas n\u00e3o sei, \u00e9 muito incerto, n\u00e3o \u00e9 uma coisa que a \u2018cartilha preveja&#8217;\u201d, ironiza.<\/p>\n<p>Para Patricia Krause, a solu\u00e7\u00e3o seria saber a hora de puxar o freio.<\/p>\n<p>\u201cEncontrar o momento certo para levantar os controlos cambiais e de capitais [cepo] \u00e9 um grande desafio para 2025. Seria importante constituir reservas cambiais antes da remo\u00e7\u00e3o do cepo para poder fazer face a uma poss\u00edvel press\u00e3o de uma deprecia\u00e7\u00e3o da taxa de c\u00e2mbio. Este \u00faltimo poderia reacender a infla\u00e7\u00e3o e comprometer todo o plano econ\u00f4mico\u201d, pontua a economista-chefe da Latin Am\u00e9rica Coface.<\/p>\n<p>\u201cO governo atualmente est\u00e1 em negocia\u00e7\u00f5es com o FMI para um novo acordo, visando aumentar as reservas para facilitar a retirada dos controles. Logo, os la\u00e7os mais estreitos com os Estados Unidos poderiam tornar mais f\u00e1cil para a Argentina chegar a um novo acordo, uma vez que o pa\u00eds tem o maior poder de voto na institui\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Na ter\u00e7a-feira, Milei refor\u00e7ou que deve encerrar as interven\u00e7\u00f5es no c\u00e2mbio ainda em 2025. Em uma publica\u00e7\u00e3o no X, realizada j\u00e1 no domingo (2), o presidente argentino respondeu a um usu\u00e1rio que \u201cem 2026, n\u00e3o haver\u00e1 mais cepo [na Argentina]\u201d.<\/p>\n<blockquote>\n<p dir=\"ltr\" lang=\"es\">En 2026 no habr\u00e1 m\u00e1s CEPO.<\/p>\n<p>\u2014 Javier Milei (@JMilei) February 2, 2025<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>\u201cO c\u00e2mbio livre na Argentina tem muita import\u00e2ncia. O d\u00f3lar \u00e9 quase um fetiche na Argentina. O argentino viu no d\u00f3lar um porto seguro contra interven\u00e7\u00f5es, confiscos do governo. Provavelmente isso vai esfriar e colocar um fim \u00e0 bolha da adora\u00e7\u00e3o ao d\u00f3lar na Argentina\u201d, afirmou Ma\u00edlson da N\u00f3brega ao\u00a0<strong>CNN Money<\/strong>.<\/p>\n<h2>Perspectivas<\/h2>\n<p>O que os economistas ouvidos pela\u00a0<strong>CNN<\/strong> apontam \u00e9 que o maior desafio de Milei \u00e9 se ele conseguir\u00e1 garantir a sustentabilidade de seus feitos.<\/p>\n<p>\u201cO grande problema e solu\u00e7\u00e3o \u00e9 Javier Milei. T\u00eam brigas desnecess\u00e1rias que jogam contra Milei. Mas, na m\u00e9dia, est\u00e1 conseguindo fazer. Se a democracia e o congresso ajudarem, a Argentina tem grandes chances de dar certo. Mas ainda estamos na metade do primeiro tempo, tem ch\u00e3o pela frente\u201d, afirma Roberto Luis Troster.<\/p>\n<p>\u201cSe fracassar, pode se esquecer de reformas e revolu\u00e7\u00f5es por pelo menos muito tempo. Se der certo, \u00e9 razo\u00e1vel esperar mudan\u00e7as aqui e na Am\u00e9rica Latina. At\u00e9 agora tem conseguido, mas o jogo ainda n\u00e3o acabou. Para dar certo, precisa diminuir o n\u00edvel de desemprego; lidar com a quest\u00e3o do cepo para abrir a economia (depende muito de acordo com o FMI); e continuar com o apoio popular\u201d, conclui o ex-Febraban.<\/p>\n<blockquote data-secret=\"OQKAdDMlgq\">\n<p>D\u00f3lar teve picos em outros 5 momentos da hist\u00f3ria do real; veja quando<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Falar das particularidades e controv\u00e9rsias da economia argentina j\u00e1 virou um lugar comum. 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