{"id":24479,"date":"2026-06-08T16:30:37","date_gmt":"2026-06-08T19:30:37","guid":{"rendered":"https:\/\/csimaster.com\/noticia2025\/tecido-sobrevive-fora-do-corpo-e-desafia-conhecimento-sobre-vida-e-morte\/"},"modified":"2026-06-08T16:30:51","modified_gmt":"2026-06-08T19:30:51","slug":"tecido-sobrevive-fora-do-corpo-e-desafia-conhecimento-sobre-vida-e-morte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/csimaster.com\/noticia2025\/tecido-sobrevive-fora-do-corpo-e-desafia-conhecimento-sobre-vida-e-morte\/","title":{"rendered":"Tecido sobrevive fora do corpo e desafia conhecimento sobre vida e morte"},"content":{"rendered":"<div data-single-content=\"true\">\n<p><strong>Uma descoberta feita por pesquisadores da Universidade Memorial (Memorial University)<\/strong>, no Canad\u00e1, <strong>est\u00e1 desafiando conceitos fundamentais da biologia sobre vida, morte e envelhecimento<\/strong>. Um <strong>estudo<\/strong> publicado na <strong>revista cient\u00edfica &#8220;Science Advances&#8221;<\/strong> revelou que <strong>fragmentos de tecido de uma esp\u00e9cie de pepino-do-mar continuaram vivos por mais de tr\u00eas anos<\/strong> <strong>depois de serem separados do corpo do animal.<\/strong><\/p>\n<p>Os <strong>cientistas observaram que esses fragmentos n\u00e3o apenas sobreviveram, mas mantiveram diversas fun\u00e7\u00f5es biol\u00f3gicas consideradas t\u00edpicas de organismos vivos<\/strong>. Eles cicatrizaram ferimentos, reorganizaram suas estruturas internas, absorveram nutrientes do ambiente e continuaram apresentando atividade celular e imunol\u00f3gica.<\/p>\n<p>A <strong>equipe passou a chamar os fragmentos de &#8220;tecidos zumbis&#8221; por existirem em uma esp\u00e9cie de zona cinzenta entre a vida e a morte<\/strong>. Eles n\u00e3o s\u00e3o organismos completos, <strong>n\u00e3o conseguem se reproduzir e tampouco se transformam<\/strong> em novos indiv\u00edduos. Ainda assim, <strong>permanecem ativos e funcionais<\/strong> por per\u00edodos que, at\u00e9 agora, eram considerados imposs\u00edveis para tecidos complexos isolados.<\/p>\n<h2>Uma descoberta feita por acaso<\/h2>\n<p>Tudo come\u00e7ou ap\u00f3s um <strong>experimento de rotina no laborat\u00f3rio da pesquisadora Sara Jobson<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Pequenos fragmentos de tecido de um pepino-do-mar da esp\u00e9cie <em>Psolus fabricii<\/em> foram deixados em tanques com \u00e1gua do mar corrente<\/strong>. O <strong>esperado era que o material se deteriorasse<\/strong> rapidamente, como acontece com praticamente qualquer tecido animal separado de seu organismo. Mas isso n\u00e3o aconteceu. A<strong>p\u00f3s semanas, os tecidos permaneciam intactos<\/strong>. Depois de meses, continuavam vivos.<\/p>\n<div data-image=\"true\" tabindex=\"0\" role=\"button\" aria-controls=\"modal-content\" aria-expanded=\"false\" aria-haspopup=\"true\">\n<figure><figcaption><span>Um p\u00e9 ambulacral vivo ap\u00f3s v\u00e1rios anos \u2022 Cr\u00e9ditos: Mercier Lab<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Com o passar dos anos, os pesquisadores perceberam que estavam diante de um fen\u00f4meno que nunca havia sido documentado. A partir dessa observa\u00e7\u00e3o inesperada, a equipe iniciou uma <strong>investiga\u00e7\u00e3o detalhada<\/strong> para entender como aqueles fragmentos conseguiam sobreviver.<\/p>\n<h2>Feridas cicatrizam em poucos dias<\/h2>\n<p>Os experimentos mostraram que os <strong>tecidos reagiam imediatamente \u00e0 separa\u00e7\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n<p>Nos primeiros dias, as <strong>\u00e1reas lesionadas passaram por um intenso processo de limpeza celular<\/strong>. Partes danificadas eram eliminadas enquanto novas c\u00e9lulas surgiam para reparar os ferimentos. Em menos de uma semana, todas as amostras analisadas haviam fechado completamente as feridas provocadas pelo corte.<\/p>\n<p>Os pesquisadores tamb\u00e9m <strong>registraram atividade constante de mitose<\/strong>, processo respons\u00e1vel pela divis\u00e3o celular, e apoptose, mecanismo pelo qual c\u00e9lulas danificadas s\u00e3o eliminadas de forma programada. A combina\u00e7\u00e3o desses processos permitia que os tecidos se reorganizassem continuamente.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, <strong>c\u00e9lulas imunol\u00f3gicas conhecidas como celom\u00f3citos migravam para as regi\u00f5es lesionadas, ajudando a combater poss\u00edveis infec\u00e7\u00f5es e a remover material danificado.<\/strong><\/p>\n<div data-image=\"true\" tabindex=\"0\" role=\"button\" aria-controls=\"modal-content\" aria-expanded=\"false\" aria-haspopup=\"true\">\n<figure><figcaption><span>Processos celulares ativos (mitose e apoptose) em explantes de p\u00e9s ambulacrais entre 0 e 6 dias ap\u00f3s a excis\u00e3o (DPE) \u2022 Cr\u00e9ditos: Mercier Lab<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<h2>Como os tecidos conseguem sobreviver sem boca ou sistema digestivo?<\/h2>\n<p>Uma das maiores d\u00favidas dos cientistas era <strong>de onde vinha a energia necess\u00e1ria para manter os tecidos funcionando<\/strong>. A<strong> resposta surgiu ap\u00f3s testes que analisaram a absor\u00e7\u00e3o de nutrientes<\/strong> presentes na \u00e1gua do mar.<\/p>\n<p>Os experimentos demonstraram que os <strong>fragmentos conseguiam absorver amino\u00e1cidos dissolvidos diretamente do ambiente<\/strong>. A capacidade era especialmente intensa durante as primeiras semanas ap\u00f3s a separa\u00e7\u00e3o, quando a demanda energ\u00e9tica para cicatriza\u00e7\u00e3o era maior. Segundo os autores, os tecidos tamb\u00e9m podem reutilizar reservas internas para sustentar suas atividades biol\u00f3gicas.<\/p>\n<p>O resultado significa que, <strong>mesmo sem boca, est\u00f4mago ou sistema digestivo, os fragmentos conseguem obter recursos suficientes para continuar vivos<\/strong>.<\/p>\n<p>Outro aspecto que chamou aten\u00e7\u00e3o foi o ambiente em que os <strong>tecidos sobreviveram<\/strong>. Normalmente, a manuten\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas ou tecidos fora de organismos exige laborat\u00f3rios altamente controlados, ambientes est\u00e9reis e solu\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas espec\u00edficas para evitar contamina\u00e7\u00f5es. No caso dos fragmentos de <em>Psolus fabricii<\/em>, nada disso foi necess\u00e1rio. Os tecidos permaneceram em \u00e1gua do mar natural, rica em bact\u00e9rias, fungos, microrganismos e part\u00edculas org\u00e2nicas. Mesmo assim, continuaram vivos.<\/p>\n<div data-image=\"true\" tabindex=\"0\" role=\"button\" aria-controls=\"modal-content\" aria-expanded=\"false\" aria-haspopup=\"true\">\n<figure><figcaption><span>P\u00e9s ambulacrais cicatrizados de um pepino-do-mar \u2022 Cr\u00e9ditos: Mercier Lab<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Para os pesquisadores, essa r<strong>esist\u00eancia sugere a exist\u00eancia de mecanismos imunol\u00f3gicos e bioqu\u00edmicos extremamente eficientes, capazes de proteger os fragmentos contra infec\u00e7\u00f5es e degrada\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<h2>Crescimento continua mesmo ap\u00f3s anos<\/h2>\n<p>As observa\u00e7\u00f5es mostraram que <strong>os tecidos passaram por mudan\u00e7as significativas ao longo do tempo. <\/strong>Inicialmente, os<strong> fragmentos diminu\u00edram de tamanho ap\u00f3s o corte<\/strong>. Meses depois, recuperaram as dimens\u00f5es originais. Em alguns casos, tornaram-se at\u00e9 maiores do que eram logo ap\u00f3s serem retirados do animal. Internamente, a <strong>estrutura tamb\u00e9m foi reorganizada<\/strong>.<\/p>\n<p>Os tecidos musculares desapareceram gradualmente, enquanto o tecido conjuntivo passou a ocupar a maior parte do fragmento. Segundo os autores, isso pode representar uma adapta\u00e7\u00e3o para reduzir o gasto energ\u00e9tico com estruturas que j\u00e1 n\u00e3o desempenham fun\u00e7\u00e3o importante fora do organismo original. <strong>Mesmo ap\u00f3s mais de tr\u00eas anos, os pesquisadores n\u00e3o encontraram sinais claros de envelhecimento ou decl\u00ednio funcional.<\/strong><\/p>\n<div data-image=\"true\" tabindex=\"0\" role=\"button\" aria-controls=\"modal-content\" aria-expanded=\"false\" aria-haspopup=\"true\">\n<figure><figcaption><span>Explantes de p\u00e9s ambulacrais em diferentes per\u00edodos de observa\u00e7\u00e3o, expressos em dias ap\u00f3s a excis\u00e3o (DPE), ao longo de 2,5 anos \u2022 Cr\u00e9ditos: Mercier Lab<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<h2>Fen\u00f4meno n\u00e3o foi observado em outras esp\u00e9cies<\/h2>\n<p>Para verificar se a capacidade era comum entre equinodermos \u2014 grupo que inclui estrelas-do-mar, ouri\u00e7os-do-mar e pepinos-do-mar \u2014 os cientistas repetiram os experimentos em diversas esp\u00e9cies. Os <strong>resultados foram diferentes.<\/strong><\/p>\n<p>Embora alguns tecidos conseguissem sobreviver por algumas semanas ou meses, todos acabaram se degradando. Nenhum apresentou a longevidade observada em Psolus fabricii. Isso sugere que a <strong>caracter\u00edstica pode ser exclusiva da esp\u00e9cie estudada ou depender de mecanismos biol\u00f3gicos ainda desconhecidos.<\/strong><\/p>\n<h2>Veja animais com caracter\u00edsticas \u00fanicas na natureza<\/h2>\n<h2>O que isso pode significar para a ci\u00eancia?<\/h2>\n<p>Os pesquisadores afirmam que ainda n\u00e3o sabem qual vantagem evolutiva explica esse fen\u00f4meno. Tamb\u00e9m evitam afirmar que os tecidos sejam verdadeiramente imortais. <strong>O que o estudo demonstra \u00e9 que eles permaneceram vivos e funcionais por mais de tr\u00eas anos sem apresentar sinais evidentes de deteriora\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p>A descoberta pode ter implica\u00e7\u00f5es importantes para \u00e1reas como medicina regenerativa, engenharia de tecidos, estudos sobre envelhecimento e desenvolvimento de novos modelos biol\u00f3gicos para pesquisa. Al\u00e9m disso, <strong>os chamados &#8220;tecidos zumbis&#8221; podem oferecer uma oportunidade rara para estudar como estruturas complexas conseguem manter fun\u00e7\u00f5es vitais de forma aut\u00f4noma por per\u00edodos extremamente longos.<\/strong><\/p>\n<p>Para os autores, <strong>a principal conclus\u00e3o \u00e9 que os resultados desafiam uma das premissas mais b\u00e1sicas da biologia moderna: a de que tecidos complexos inevitavelmente morrem pouco tempo depois de serem separados do organismo ao qual pertencem.\u00a0<\/strong><\/p>\n<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma descoberta feita por pesquisadores da Universidade Memorial (Memorial University), no Canad\u00e1, est\u00e1 desafiando conceitos fundamentais da biologia sobre vida, morte e&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":204,"featured_media":24480,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_lmt_disableupdate":"","_lmt_disable":"","footnotes":""},"categories":[18],"tags":[],"class_list":["post-24479","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-regiao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/csimaster.com\/noticia2025\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24479","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/csimaster.com\/noticia2025\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/csimaster.com\/noticia2025\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/csimaster.com\/noticia2025\/wp-json\/wp\/v2\/users\/204"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/csimaster.com\/noticia2025\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24479"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/csimaster.com\/noticia2025\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24479\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/csimaster.com\/noticia2025\/wp-json\/wp\/v2\/media\/24480"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/csimaster.com\/noticia2025\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24479"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/csimaster.com\/noticia2025\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24479"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/csimaster.com\/noticia2025\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24479"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}