{"id":20390,"date":"2025-09-22T21:30:42","date_gmt":"2025-09-23T00:30:42","guid":{"rendered":"https:\/\/csimaster.com\/noticia2025\/big-techs-como-as-7-magnificas-fizeram-dos-eua-berco-da-revolucao-digital\/"},"modified":"2025-09-22T21:30:45","modified_gmt":"2025-09-23T00:30:45","slug":"big-techs-como-as-7-magnificas-fizeram-dos-eua-berco-da-revolucao-digital","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/csimaster.com\/noticia2025\/big-techs-como-as-7-magnificas-fizeram-dos-eua-berco-da-revolucao-digital\/","title":{"rendered":"Big techs: como as 7 magn\u00edficas fizeram dos EUA ber\u00e7o da revolu\u00e7\u00e3o digital"},"content":{"rendered":"<div data-single-content=\"true\">\n<p>No per\u00edodo p\u00f3s-guerra, a supremacia dos Estados Unidos se baseou especialmente no desenvolvimento industrial. Quando o setor se consolidou, a economia do pa\u00eds come\u00e7ou a migrar para servi\u00e7os e tecnologia \u2014 at\u00e9 a cria\u00e7\u00e3o das chamadas \u201csete magn\u00edficas\u201d.<\/p>\n<p>O termo foi criado em 2023 pelo analista Michael Hartnett, do Bank of America, para evidenciar o peso no S&#038;P 500 e a influ\u00eancia como term\u00f4metro do mercado financeiro global das sete maiores <em>big techs<\/em> norte-americanas, formadas por Google, Amazon, Apple, Meta, Microsoft, Nvidia e Tesla.<\/p>\n<p>Mas como foi poss\u00edvel que as sete magn\u00edficas, em t\u00e3o pouco tempo, superassem em valor de mercado e o PIB (Produto Interno Bruto) de muitos pa\u00edses?<\/p>\n<p>O gerente de vendas da divis\u00e3o Enterprise da Nvidia no Brasil, Marcel Saraiva, explica \u00e0 <strong>CNN<\/strong> que, historicamente, algumas regi\u00f5es dos EUA unem fatores favor\u00e1veis ao desenvolvimento dessas empresas.<\/p>\n<p>\u201cExiste o fator t\u00e9cnico, porque forma muita gente boa do mundo inteiro, e o fator do capital, porque tem uma grande quantidade de investidores e <em>venture capital<\/em> que tem essa cultura de empreender e inovar. E isso come\u00e7ou j\u00e1 no final dos anos 1960.\u201d<\/p>\n<h2>Investimento em educa\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>Toda tecnologia e revolu\u00e7\u00e3o digital as quais o mundo est\u00e1 imerso tem uma ra\u00edz conhecida: a educa\u00e7\u00e3o. Para inovar, \u00e9 preciso ser a vanguarda do conhecimento. Neste ponto, os Estados Unidos dominam.<\/p>\n<p>\u201cUma vez que nos Estados Unidos as pessoas t\u00eam carreiras em ci\u00eancias e engenharias muito maiores que no Brasil, a gente tem menos talentos que v\u00e3o querer empreender em empresas de tecnologia\u201d, explica Lucas Abreu, fundador do podcast de empreendedorismo Sunday Drops e investidor de <em>venture capital<\/em>.<\/p>\n<p>Abreu argumentou que o diferencial entre os dois pa\u00edses reflete um \u201cterreno menos f\u00e9rtil\u201d de oportunidades no Brasil.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Ronaldo de Castro Souza J\u00fanior, economista-chefe da Leme Consultores, tamb\u00e9m aponta que uma m\u00e3o de obra qualificada e o desenvolvimento de tecnologias disruptivas nas universidades norte-americanas s\u00e3o indispens\u00e1veis.<\/p>\n<p>Apesar do conhecimento ser essencial, ele n\u00e3o \u00e9 suficiente para sustentar exclusivamente um crescimento extraordin\u00e1rio de empresas de tecnologia.<\/p>\n<p>Para inovar, os especialistas explicam que \u00e9 preciso arriscar tempo, oportunidades e dinheiro.<\/p>\n<h2>A for\u00e7a do venture capital<\/h2>\n<p>O capital \u00e9 um dos pilares fundamentais para o surgimento das <em>big techs<\/em>, destacam os especialistas ouvidos pela <strong>CNN<\/strong>. Com um mercado desenvolvido, juros menores e apetite por risco, os investidores ficam mais interessados em se aventurar para tentar ganhar mais.<\/p>\n<p>E \u00e9 pelo <em>venture capital<\/em> (capital de risco, em portugu\u00eas) que s\u00e3o unidas ideias inovadoras e o dinheiro do mercado financeiro.<\/p>\n<p>O objetivo \u00e9 atrair investidores dispostos a comprar uma ideia que pode ou n\u00e3o dar certo. \u00c9 correr um alto risco de perda, mas tamb\u00e9m a chance de um lucro milion\u00e1rio ou at\u00e9 mesmo bilion\u00e1rio.<\/p>\n<p>Essa estrat\u00e9gia n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o recente: desde 1946 os Estados Unidos v\u00eam constituindo uma forte cultura de <em>venture capital<\/em>.<\/p>\n<p>Diego Bonaldo, professor da FIA Business School, destaca que este tipo de investimento entre os norte-americanos ainda est\u00e1 muito \u00e0 frente daqueles que avan\u00e7aram na Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>\u201cA Europa vem avan\u00e7ando no mercado de venture capital, mas est\u00e1 muito distante dos Estados Unidos numa perspectiva de montante\u201d, argumenta.<\/p>\n<p>A grande quest\u00e3o que fica \u00e9: por que toda essa evolu\u00e7\u00e3o s\u00f3 acontece nos Estados Unidos?<\/p>\n<p>A Uni\u00e3o Europeia se destaca como um dos blocos com grande potencial, mas o resultado n\u00e3o reflete isso. Especialistas ouvidos pela <strong>CNN<\/strong> destacam, por\u00e9m, que a UE tem ficado para tr\u00e1s em diversos sentidos.<\/p>\n<p>O investimento em pesquisa e desenvolvimento do bloco europeu, tanto p\u00fablico quanto privado, \u00e9 menor que nos EUA.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os especialistas apontam que os ambientes acad\u00eamico e corporativo norte-americanos valorizam fortemente a competi\u00e7\u00e3o e o empreendedorismo, o que n\u00e3o acontece necessariamente do outro lado do Atl\u00e2ntico.<\/p>\n<p>Para Thiago Viana, diretor de inova\u00e7\u00e3o do iFood, a Europa foi para um caminho com uma regula\u00e7\u00e3o muito dura e forte.<\/p>\n<p>\u201cEssa conduta faz sentido no final do dia, no que diz respeito \u00e0 seguran\u00e7a do usu\u00e1rio, mas limita o quanto as pessoas conseguem consumir de tecnologia quando olham para esses dados.\u201d<\/p>\n<h2>China e o triunfo da intelig\u00eancia artificial<\/h2>\n<p>Fora Estados Unidos e Europa, h\u00e1 outro nome nessa lista: a China. O pa\u00eds tem mostrado uma grande capacidade de inova\u00e7\u00e3o, com investimentos eficientes em avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos.<\/p>\n<p>Os celulares chineses est\u00e3o ganhando cada vez mais o mundo, com marcas como a Xiaomi; enquanto a Tesla foi destronada da lideran\u00e7a de carros el\u00e9tricos pelas fabricantes da segunda maior economia do mundo.<\/p>\n<p>Em 2024, a gigante chinesa de ve\u00edculos el\u00e9tricos BYD registrou receitas de 777 bilh\u00f5es de yuans (US$ 107 bilh\u00f5es), ultrapassando a marca de Elon Musk em vendas anuais.<\/p>\n<p>Isso sem contar o avan\u00e7o da intelig\u00eancia artificial chinesa. A startup chinesa DeepSeek t\u00eam se destacado ao redor do mundo com processadores \u00fanicos e aumentando a concorr\u00eancia com rivais norte-americanas como a OpenAI.<\/p>\n<p>\u201cA quest\u00e3o de inova\u00e7\u00f5es disruptivas t\u00eam se concentrado em determinados pa\u00edses como a China, que tem disputado muito mais com os Estados Unidos do que com a pr\u00f3pria Europa\u201d, aponta Jos\u00e9 Ronaldo, da Leme Consultores.<\/p>\n<h2>Impasse da regulamenta\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>Enquanto o avan\u00e7o da intelig\u00eancia artificial segue impressionando o consumidor, em paralelo se desenvolve o debate sobre a regulamenta\u00e7\u00e3o das <em>big techs<\/em> e a gratuidade dos servi\u00e7os digitais oferecidos por essas empresas.<\/p>\n<p>\u201cQuando os produtos s\u00e3o de gra\u00e7a, o produto sou eu, porque hoje em dia cada minuto do nosso dia est\u00e1 sendo vendido no mercado\u201d, provoca Lucas Abreu, do Sunday Drops.<\/p>\n<p>Essa l\u00f3gica comercial e de monetiza\u00e7\u00e3o traz resultados impressionantes. Nos \u00faltimos 10 anos, o \u00edndice industrial dos EUA Dow Jones subiu 178%, ganho percentual pr\u00f3ximo do Ibovespa, mas consideravelmente menor que o de Alphabet, Meta e Apple, que cresceram entre 600% e 800% no per\u00edodo.<\/p>\n<p>A Amazon se destaca ainda mais \u00e0 frente, com salto de 835% na d\u00e9cada. Ainda assim, nada chega perto do desempenho da Nvidia, que disparou 30.730%.<\/p>\n<p>O que surpreende tamb\u00e9m \u00e9 como o valor dessas empresas bate &#8211; por muito &#8211; a economia de pa\u00edses como um todo. Um levantamento da Elos Ayta mostra que o valor de mercado atual das Sete Magn\u00edficas \u2014 US$ 18,25 trilh\u00f5es em 10 de julho de 2025 \u2014 equivale a mais de oito vezes o PIB (Produto Interno Bruto) nominal do Brasil, estimado em cerca de US$ 2,2 trilh\u00f5es em 2025.<\/p>\n<p>&#8220;Isso evidencia a magnitude financeira dessas gigantes de tecnologia, que, juntas, valem m\u00faltiplos de uma das maiores economias emergentes do mundo. Em outras palavras, o mercado atribui a esse seleto grupo um valor que ultrapassa, com ampla margem, a produ\u00e7\u00e3o de bens e servi\u00e7os de todo o territ\u00f3rio brasileiro em um ano&#8221;, comenta Einar Rivero, CEO da consultoria repons\u00e1vel pelo levantamento.<\/p>\n<p>A Elos Ayta ainda destaca que, de 31 de dezembro de 2024 at\u00e9 10 de julho de 2025, o valor de mercado agregado dessas sete gigantes saltou de US$ 16,19 trilh\u00f5es para US$ 18,25 trilh\u00f5es, um crescimento de US$ 2,06 trilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Para efeito de compara\u00e7\u00e3o, o aumento de valor das <em>big techs<\/em> \u00e9 mais que o dobro do valor total de todas as empresas listadas na B3, que no mesmo per\u00edodo foi de US$ 623 bilh\u00f5es para US$ 779 bilh\u00f5es \u2014 uma alta de US$ 156 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Desse modo, as <em>big techs<\/em> se consolidam cada vez mais ao redor do mundo, apoiadas no ambiente norte-americano.<\/p>\n<p>\u201cEssas empresas hoje s\u00e3o mais importantes do que outros pa\u00edses. As pessoas de l\u00e1 t\u00eam maior poder de influ\u00eancia do que presidentes de diversos pa\u00edses\u201d, completou Lucas Abreu.<\/p>\n<p><em>Colabora\u00e7\u00e3o de Fernando Nakagawa, Gustavo Zanfer, Jo\u00e3o Nakamura, Matheus Oliveira e Rodrigo Monteiro, da CNN<\/em><\/p>\n<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No per\u00edodo p\u00f3s-guerra, a supremacia dos Estados Unidos se baseou especialmente no desenvolvimento industrial. 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