{"id":19444,"date":"2025-08-13T17:27:32","date_gmt":"2025-08-13T20:27:32","guid":{"rendered":"https:\/\/csimaster.com\/noticia2025\/pesquisadora-estuda-dna-das-brasileiras-para-compreender-cancer-de-mama\/"},"modified":"2025-08-13T17:27:39","modified_gmt":"2025-08-13T20:27:39","slug":"pesquisadora-estuda-dna-das-brasileiras-para-compreender-cancer-de-mama","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/csimaster.com\/noticia2025\/pesquisadora-estuda-dna-das-brasileiras-para-compreender-cancer-de-mama\/","title":{"rendered":"Pesquisadora estuda DNA das brasileiras para compreender c\u00e2ncer de mama"},"content":{"rendered":"<div data-single-content=\"true\">\n<p>O diagn\u00f3stico precoce e o desenvolvimento de tratamentos mais personalizados para o c\u00e2ncer s\u00e3o passos cruciais para o combate \u00e0 doen\u00e7a. Mas, para isso, \u00e9 fundamental reconhecer que existem diferen\u00e7as gen\u00e9ticas entre cada tipo de tumor e desenvolver terapias que funcionem de forma mais eficaz para paciente. \u00c9 o que a estudante L\u00edvia Luisa Pinaso, de S\u00e3o Paulo, busca fazer com sua pesquisa.<\/p>\n<p>A jovem de 23 anos, estudante de Medicina na Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), \u00e9 uma das 25 jovens cientistas selecionadas para a quinta edi\u00e7\u00e3o do programa <strong>25 Mulheres na Ci\u00eancia &#8211; Am\u00e9rica Latina<\/strong>, desenvolvido pela 3M, que teve foco exclusivo em estudantes universit\u00e1rias. A iniciativa, criada em 2020, busca reconhecer e dar visibilidade a jovens cientistas da Am\u00e9rica Latina e Canad\u00e1 que j\u00e1 est\u00e3o promovendo transforma\u00e7\u00f5es reais nas suas comunidades e nos campos da ci\u00eancia, tecnologia, engenharia e matem\u00e1tica (STEM).<\/p>\n<p>L\u00edvia desenvolve uma pesquisa voltada ao diagn\u00f3stico precoce do c\u00e2ncer de mama atrav\u00e9s do estudo do genoma de mulheres brasileiras. Seu trabalho busca tornar a ci\u00eancia mais personalizada, considerando o perfil real das pacientes no Brasil para aperfei\u00e7oar a preven\u00e7\u00e3o e o tratamento da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>A motiva\u00e7\u00e3o para sua pesquisa vem da hist\u00f3ria de sua fam\u00edlia: quando L\u00edvia era adolescente, sua m\u00e3e foi diagnosticada com c\u00e2ncer de mama, assim como mulheres de gera\u00e7\u00f5es anteriores de seu n\u00facleo familiar. Ao acompanh\u00e1-la nas sess\u00f5es de radioterapia, a jovem desenvolveu o interesse pela medicina e oncologia.<\/p>\n<p>Orientada por seu professor, que tamb\u00e9m \u00e9 oncologista cl\u00ednico, a jovem decidiu estudar a \u00e1rea da gen\u00f4mica. &#8220;Meu trabalho \u00e9 analisar o DNA das mulheres com c\u00e2ncer de mama para ver qual \u00e9 a diferen\u00e7a nos tratamentos, o que fez elas terem esse c\u00e2ncer e se h\u00e1 alguma rela\u00e7\u00e3o com a gen\u00e9tica&#8221;, conta.<\/p>\n<h2>C\u00e2ncer de mama e mosaicismo<\/h2>\n<p>A pesquisa de L\u00edvia \u00e9 focada em um fen\u00f4meno gen\u00e9tico chamado <strong>mosaicismo som\u00e1tico<\/strong>, que \u00e9 a ocorr\u00eancia de duas popula\u00e7\u00f5es de c\u00e9lulas geneticamente distintas em uma pessoa.<\/p>\n<p>&#8220;Quando nascemos, as nossas c\u00e9lulas s\u00e3o todas iguais. Com o passar do tempo, elas v\u00e3o sofrendo pequenas mudan\u00e7as e, quando se dividem, formam linhagens celulares diferentes&#8221;, explica L\u00edvia. &#8220;Ent\u00e3o, dentro de n\u00f3s, n\u00e3o temos um \u00fanico genoma. N\u00f3s temos v\u00e1rios. A minha pesquisa busca entender como essas diferen\u00e7as ao longo da vida podem fazer com que uma pessoa tenha c\u00e2ncer&#8221;, completa.<\/p>\n<p>No caso do c\u00e2ncer de mama, L\u00edvia descobriu, atrav\u00e9s da sua pesquisa, que um gene espec\u00edfico respons\u00e1vel pela estabilidade do genoma tem sua funcionalidade afetada, o que pode estar relacionado ao desenvolvimento da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>&#8220;O mosaicismo faz com que voc\u00ea perca ou ganhe fun\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas, e isso pode aumentar ou diminuir as suas chances de ter um c\u00e2ncer&#8221;, explica L\u00edvia. &#8220;Ent\u00e3o, na minha pesquisa, eu olho basicamente tr\u00eas coisas: quais s\u00e3o as chances, o tipo de mosaicismo e como isso afeta as mulheres que j\u00e1 t\u00eam c\u00e2ncer, ou seja, se a quimioterapia \u00e9 o melhor tratamento, ou se a radioterapia \u00e9 a melhor op\u00e7\u00e3o&#8221;, completa.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a pesquisa de L\u00edvia pode ser importante para o desenvolvimento de testes que ajudam a prever o risco de uma pessoa desenvolver c\u00e2ncer de mama, assim como aumentar as chances de diagn\u00f3stico precoce &#8212; um fator crucial para o sucesso do tratamento.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00f3s j\u00e1 vimos que o mosaicismo aparece cerca de 10 anos antes do tumor. Ent\u00e3o, isso serve para um planejamento de longo prazo para sua vida&#8221;, afirma. &#8220;Meu sonho \u00e9 que, em um futuro pr\u00f3ximo, n\u00f3s possamos tirar uma amostra de sangue de cinco mililitros de uma mulher em qualquer lugar do Brasil e ela saber, com 10 anos de anteced\u00eancia, se ela tem uma chance ou n\u00e3o de ter c\u00e2ncer e, assim, fazer uma vigil\u00e2ncia ou mudan\u00e7as de h\u00e1bitos de vida que a ajudem nesse contexto.&#8221;<\/p>\n<h2>Fatores de risco podem aumentar o mosaicismo<\/h2>\n<p>Outra descoberta importante da pesquisa de L\u00edvia \u00e9 que fatores de risco modific\u00e1veis para o c\u00e2ncer, como tabagismo, obesidade e sedentarismo, podem fazer com que o mosaicismo esteja mais presente nas mulheres.<\/p>\n<p>&#8220;Em pessoas que fumam, as c\u00e9lulas acabam morrendo mais rapidamente e precisando de uma renova\u00e7\u00e3o maior. Essas renova\u00e7\u00f5es propiciam essas mudan\u00e7as nas c\u00e9lulas e, assim, o mosaicismo aparece mais&#8221;, afirma L\u00edvia. &#8220;O mosaicismo j\u00e1 vai acontecer ao longo da vida, mas quando voc\u00ea tem esses fatores que propiciam a inflama\u00e7\u00e3o ou mudan\u00e7as repentinas no seu corpo, ele fica mais presente, e isso aumenta a sua chance de c\u00e2ncer&#8221;, completa.<\/p>\n<p>A pesquisa de L\u00edvia tamb\u00e9m descobriu que mulheres latino-americanas, principalmente as que possuem ascend\u00eancia latina, africana e ind\u00edgena, possuem mais mosaicismo e mais chance de c\u00e2ncer. Essa descoberta tamb\u00e9m \u00e9 importante para reavaliar recomenda\u00e7\u00f5es de rastreio para o c\u00e2ncer de mama no Brasil, principalmente no \u00e2mbito do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS), na avalia\u00e7\u00e3o da pesquisadora.<\/p>\n<p>&#8220;A nossa hip\u00f3tese \u00e9 que a popula\u00e7\u00e3o brasileira tem mais mosaicismo por ter v\u00e1rias partes de genomas de v\u00e1rias partes do mundo, j\u00e1 que \u00e9 uma popula\u00e7\u00e3o mais miscigenada&#8221;, explica. &#8220;Isso faz com que tenhamos um &#8216;pool&#8217; rico para trabalhar de uma forma totalmente diferente e inovadora [para o diagn\u00f3stico de c\u00e2ncer de mama]. N\u00f3s vemos, na nossa popula\u00e7\u00e3o, o mosaicismo aparecendo a partir de 40 anos. Isso significa que, aos 50, a mulher j\u00e1 pode ter desenvolvido algo que n\u00f3s poder\u00edamos ter identificado l\u00e1 atr\u00e1s&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Atualmente, a recomenda\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade para o in\u00edcio do rastreio (realiza\u00e7\u00e3o de exames de rotina) para o c\u00e2ncer de mama \u00e9 50 anos.<\/p>\n<h2>Programa visa reconhecer e inspirar jovens cientistas como L\u00edvia<\/h2>\n<p>O comportamento de cientistas como L\u00edvia reflete um movimento global de mudan\u00e7a de mentalidade: ci\u00eancia com prop\u00f3sito, impacto social direto e preocupa\u00e7\u00e3o em representar vozes que historicamente ficaram \u00e0 margem. Segundo o \u00cdndice do Estado da Ci\u00eancia 2023 \u2013 estudo encomendado pela 3M, 86% das pessoas acreditam que as mulheres ainda s\u00e3o um recurso inexplorado na ci\u00eancia e tecnologia.<\/p>\n<p>O objetivo do programa de que L\u00edvia faz parte \u00e9 reconhecer jovens cientistas e criar refer\u00eancias para meninas ainda mais novas, que ainda est\u00e3o na escola. &#8220;Nossa vis\u00e3o \u00e9 reconhecer o trabalho de mulheres que est\u00e3o desenvolvendo pesquisas cient\u00edficas na Am\u00e9rica Latina e dar visibilidade a esses trabalhos&#8221;, afirma Marcia Ferrarezi, l\u00edder de P&#038;D da 3M para a Am\u00e9rica do Sul, \u00e0 <strong>CNN<\/strong>.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o existe progresso de nenhuma sociedade, pa\u00eds ou comunidade, sem entendermos e disseminarmos a import\u00e2ncia da ci\u00eancia aplicada em diversos setores, n\u00e3o s\u00f3 na sa\u00fade p\u00fablica, mas para diferentes mercados&#8221;, completa. &#8220;Alguns setores das \u00e1reas de STEM j\u00e1 t\u00eam uma presen\u00e7a significativa de mulheres, mas existem outros setores, como o de engenharia, que ainda n\u00e3o t\u00eam meninas. N\u00f3s precisamos quebrar essa barreira&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, para Ferrarezi, o reconhecimento de jovens cientistas se torna ainda mais importante diante de uma crescente constante do ceticismo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ci\u00eancia. &#8220;N\u00f3s temos diversas pesquisas que medem esse ceticismo da popula\u00e7\u00e3o em geral e precisamos falar sobre isso, precisamos disseminar a pesquisa real e s\u00e9ria. Existem diversos tipos de fake news que precisamos combater e colocar na cabe\u00e7a da popula\u00e7\u00e3o em geral que a pesquisa s\u00e9ria \u00e9 o \u00fanico modo de desenvolvimento social&#8221;, afirma.<\/p>\n<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O diagn\u00f3stico precoce e o desenvolvimento de tratamentos mais personalizados para o c\u00e2ncer s\u00e3o passos cruciais para o combate \u00e0 doen\u00e7a. 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