{"id":16546,"date":"2025-05-13T07:32:26","date_gmt":"2025-05-13T10:32:26","guid":{"rendered":"https:\/\/csimaster.com\/noticia2025\/por-que-agora-e-indicado-rastrear-diabetes-tipo-2-a-partir-dos-35-anos\/"},"modified":"2025-05-13T07:32:33","modified_gmt":"2025-05-13T10:32:33","slug":"por-que-agora-e-indicado-rastrear-diabetes-tipo-2-a-partir-dos-35-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/csimaster.com\/noticia2025\/por-que-agora-e-indicado-rastrear-diabetes-tipo-2-a-partir-dos-35-anos\/","title":{"rendered":"Por que agora \u00e9 indicado rastrear diabetes tipo 2 a partir dos 35 anos?"},"content":{"rendered":"<div>\n<p>A Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) atualizou as diretrizes para o rastreamento e diagn\u00f3stico do diabetes tipo 2 no Brasil. Entre as principais mudan\u00e7as est\u00e3o a redu\u00e7\u00e3o da idade para in\u00edcio da triagem em adultos assintom\u00e1ticos, a inclus\u00e3o de alerta para rastreio em crian\u00e7as e adolescentes e a altera\u00e7\u00e3o em alguns crit\u00e9rios nos exames usados para diagn\u00f3stico. O documento foi publicado em mar\u00e7o na revista cient\u00edfica Diabetology &#038; Metabolic Syndrome.<\/p>\n<p>A atualiza\u00e7\u00e3o ganha relev\u00e2ncia diante do crescente aumento de casos de diabetes tipo 2, em grande parte, devido \u00e0s altas taxas de sobrepeso e obesidade na popula\u00e7\u00e3o global. Segundo a 11\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Atlas da Federa\u00e7\u00e3o Internacional de Diabetes (IDF), cerca de 589 milh\u00f5es de adultos entre 20 e 79 anos vivem com a doen\u00e7a no mundo. No Brasil, a estimativa da SBD \u00e9 de que cerca de 20 milh\u00f5es de pessoas convivam atualmente com diabetes, o que representa aproximadamente 10,2% da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma das principais mudan\u00e7as nas novas diretrizes para o rastreamento do diabetes tipo 2 \u00e9 a amplia\u00e7\u00e3o da faixa et\u00e1ria e dos crit\u00e9rios para in\u00edcio da triagem. A nova recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 de que todos os adultos a partir dos 35 anos sejam submetidos ao rastreio, mesmo que n\u00e3o apresentem sintomas ou fatores de risco conhecidos. Antes, essa indica\u00e7\u00e3o era a partir dos 45.<\/p>\n<p>J\u00e1 para pessoas com menos de 35 anos, o rastreamento tamb\u00e9m \u00e9 indicado caso tenham sobrepeso ou obesidade, desde que associado a pelo menos um fator de risco adicional. Entre esses fatores est\u00e3o: hist\u00f3rico familiar de diabetes tipo 2, doen\u00e7as cardiovasculares, hipertens\u00e3o arterial, n\u00edveis baixos de HDL (inferiores a 35 mg\/dl), triglicer\u00eddeos elevados (acima de 250 mg\/dl), s\u00edndrome dos ov\u00e1rios polic\u00edsticos, presen\u00e7a de acantose nigricans (pequenas manchas escuras em tons de marrom na pele) e sedentarismo. Tamb\u00e9m devem ser considerados antecedentes como pr\u00e9-diabetes detectado em exames anteriores ou hist\u00f3rico de diabetes gestacional.<\/p>\n<p>O endocrinologista Paulo Rosenbaum, do Hospital Israelita Albert Einstein, destaca a import\u00e2ncia da atualiza\u00e7\u00e3o. \u201cCada vez mais vemos pessoas jovens com altera\u00e7\u00f5es na glicemia associadas a fatores como obesidade e sedentarismo. O diabetes \u00e9 uma doen\u00e7a silenciosa e, quando a glicemia come\u00e7a a subir, o risco de complica\u00e7\u00f5es cardiovasculares j\u00e1 est\u00e1 presente. Diagnosticar cedo \u00e9 essencial para prevenir problemas futuros\u201d, afirma.<\/p>\n<p>No caso de crian\u00e7as e adolescentes assintom\u00e1ticos, a recomenda\u00e7\u00e3o da diretriz \u00e9 iniciar o rastreamento ap\u00f3s os 10 de idade ou depois do in\u00edcio da puberdade (o que vier primeiro) naqueles com sobrepeso ou obesidade e com pelo menos um fator de risco adicional \u2013 entre eles, a m\u00e3e ter tido diabetes gestacional.<\/p>\n<h2>Exames diagn\u00f3sticos<\/h2>\n<p>As novas diretrizes para o rastreamento do diabetes tipo 2 mant\u00eam os exames de glicemia de jejum e hemoglobina glicada (A1c) como padr\u00e3o inicial de triagem. A recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 que ambos os exames sejam realizados em conjunto para confirma\u00e7\u00e3o diagn\u00f3stica.<\/p>\n<p>\u201cSe a hemoglobina glicada estiver igual ou acima de 6,5% e a glicemia de jejum for igual ou superior a 126 mg\/dl, n\u00e3o h\u00e1 necessidade de exames adicionais \u2014 esses n\u00edveis j\u00e1 s\u00e3o compat\u00edveis com o diagn\u00f3stico de diabetes. Mas, se apenas um deles estiver alterado, \u00e9 preciso repetir os testes para confirmar\u201d, explica a endocrinologista Melanie Rodacki, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), membro do Departamento de Diretrizes da SBD e uma das autoras da atualiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Rodacki ressalta ainda que, em casos sintom\u00e1ticos \u2013 como sede excessiva, urina frequente, fome aumentada e perda de peso n\u00e3o intencional \u2013, a presen\u00e7a de glicemia igual ou superior a 200 mg\/dl (mesmo sem jejum) j\u00e1 \u00e9 suficiente para fechar o diagn\u00f3stico, sem a necessidade de novo exame. Para situa\u00e7\u00f5es em que os n\u00edveis de glicose em jejum e da hemoglobina glicada estejam fora da faixa considerada normal, mas ainda n\u00e3o configurem diabetes, a diretriz recomenda o teste de toler\u00e2ncia \u00e0 glicose oral (TTGO).<\/p>\n<p>E \u00e9 justamente nesse exame que surge uma das principais novidades: antes realizado com uma segunda coleta duas horas ap\u00f3s a ingest\u00e3o de glicose, o TTGO agora passa a ter essa etapa feita ap\u00f3s apenas uma hora. O objetivo \u00e9 identificar precocemente casos de pr\u00e9-diabetes, seguindo orienta\u00e7\u00f5es da Federa\u00e7\u00e3o Internacional de Diabetes. O teste continua exigindo jejum pr\u00e9vio e uma primeira coleta de sangue. Depois, o paciente ingere uma solu\u00e7\u00e3o com 75g de glicose dilu\u00edda em \u00e1gua, e a nova coleta \u00e9 feita uma hora depois.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o estamos dizendo que o teste de duas horas n\u00e3o \u00e9 v\u00e1lido, ele tamb\u00e9m \u00e9 um crit\u00e9rio para diagn\u00f3stico. A diferen\u00e7a \u00e9 que o exame de uma hora \u00e9 mais simples, r\u00e1pido e menos custoso, o que facilita sua realiza\u00e7\u00e3o em centros de diagn\u00f3stico e amplia o acesso. Ele consegue prever o risco de diabetes de forma mais precoce em pessoas de alto risco. Por isso, optamos por inclu\u00ed-lo nas diretrizes brasileiras\u201d, afirma a especialista da SBD.<\/p>\n<p>Sobre a mudan\u00e7a no TTGO, Rosenbaum refor\u00e7a que o novo protocolo tem potencial de aumentar em at\u00e9 40% a detec\u00e7\u00e3o de casos de pr\u00e9-diabetes. \u201cMesmo antes do diagn\u00f3stico de diabetes em si, quando a glicemia est\u00e1 apenas discretamente elevada, j\u00e1 existe um processo inflamat\u00f3rio em curso que favorece a aterosclerose. Isso aumenta o risco de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e outras complica\u00e7\u00f5es. Detectar altera\u00e7\u00f5es discretas nos n\u00edveis de glicose permite iniciar precocemente interven\u00e7\u00f5es preventivas, sobretudo n\u00e3o farmacol\u00f3gicas, como dieta e atividade f\u00edsica, medidas simples que podem evitar a progress\u00e3o da doen\u00e7a e suas consequ\u00eancias a longo prazo\u201d, destaca.<\/p>\n<p>Outra inova\u00e7\u00e3o importante \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de um fluxograma cl\u00ednico que orienta profissionais de sa\u00fade sobre quais exames solicitar, em que momento e para quais perfis de pacientes. \u201cSempre houve d\u00favidas sobre como conduzir o rastreamento, ent\u00e3o desenvolvemos um material baseado em evid\u00eancias cient\u00edficas, para ajudar m\u00e9dicos de todo o pa\u00eds a agir com seguran\u00e7a, no tempo certo, e de forma pr\u00e1tica, facilitando o diagn\u00f3stico precoce em diferentes contextos do sistema de sa\u00fade\u201d, conclui Rodacki.<\/p>\n<blockquote data-secret=\"jaJKmgDF0k\">\n<p>Diabetes tipo 2: veja os sintomas e tratamentos da doen\u00e7a<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) atualizou as diretrizes para o rastreamento e diagn\u00f3stico do diabetes tipo 2 no Brasil. 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