{"id":16447,"date":"2025-05-12T07:32:44","date_gmt":"2025-05-12T10:32:44","guid":{"rendered":"https:\/\/csimaster.com\/noticia2025\/infeccoes-por-superfungos-preocupam-especialistas-e-desafiam-tratamentos\/"},"modified":"2025-05-12T07:32:59","modified_gmt":"2025-05-12T10:32:59","slug":"infeccoes-por-superfungos-preocupam-especialistas-e-desafiam-tratamentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/csimaster.com\/noticia2025\/infeccoes-por-superfungos-preocupam-especialistas-e-desafiam-tratamentos\/","title":{"rendered":"Infec\u00e7\u00f5es por superfungos preocupam especialistas e desafiam tratamentos"},"content":{"rendered":"<div>\n<p>Uma nova amea\u00e7a de microrganismos super-resistentes est\u00e1 se espalhando pelo mundo. O culpado: esporos f\u00fangicos microsc\u00f3picos que vivem dentro e fora dos corpos humanos, na terra e no ar.<\/p>\n<p>Torrence Irvin acredita que o fungo potencialmente fatal chamado <em>Coccidioides<\/em> entrou em seus pulm\u00f5es em junho de 2018 enquanto relaxava em seu quintal em Patterson, Calif\u00f3rnia.<\/p>\n<p>\u201cEu estava sentado na minha espregui\u00e7adeira aproveitando um belo dia de ver\u00e3o, jogando no celular e tomando um drinque\u201d, conta Irvin, que chegou perto da morte antes que um especialista diagnosticasse corretamente sua infec\u00e7\u00e3o quase um ano depois.<\/p>\n<p>\u201cPassei de um homem de 130 quilos para um esqueleto de 68 quilos\u201d, afirma. \u201cChegou ao ponto em que meus primeiros m\u00e9dicos simplesmente levantaram as m\u00e3os e disseram \u00e0 minha esposa que n\u00e3o havia nada que pudessem fazer. Ainda me lembro de como minha esposa solu\u00e7ou quando eles disseram isso.\u201d<\/p>\n<p>Como Irvin, Rob Purdie acredita que estava fora de sua casa em Bakersfield, Calif\u00f3rnia, trabalhando em seu jardim, quando inalou esporos de <em>Coccidioides<\/em> em 2012. A infec\u00e7\u00e3o logo se espalhou para seu c\u00e9rebro, causando meningite f\u00fangica. A condi\u00e7\u00e3o \u00e9 marcada pela inflama\u00e7\u00e3o potencialmente fatal das membranas protetoras que envolvem o c\u00e9rebro e a medula espinhal.<\/p>\n<p>\u201cEm cerca de 3% das pessoas infectadas, o fungo vai para outro lugar do corpo, al\u00e9m dos pulm\u00f5es, para sua pele, ossos e articula\u00e7\u00f5es, e outros \u00f3rg\u00e3os, ou lugares estranhos como seu globo ocular, dente e dedo mindinho\u201d, diz Purdie, membro fundador da organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos MYCare, ou MYcology Advocacy, Research &#038; Education, que educa e promove pesquisas na \u00e1rea de doen\u00e7as f\u00fangicas.<\/p>\n<p>\u201cMetade das vezes vai para o c\u00e9rebro, como o meu\u201d, afirma Purdie. \u201cPara controlar minha doen\u00e7a pelo resto da vida, tenho que tomar inje\u00e7\u00f5es intracranianas com uma droga t\u00f3xica de 80 anos que est\u00e1 me envenenando lentamente.\u201d<\/p>\n<h2>A arte imita a vida \u2014 e vice-versa<\/h2>\n<p>Na s\u00e9rie da HBO \u201cThe Last of Us\u201c, um fungo <em>Cordyceps<\/em> mutante fict\u00edcio se espalha atrav\u00e9s de mordidas de hospedeiros humanos infectados.<\/p>\n<p>No programa, o parasita rapidamente invade o c\u00e9rebro das v\u00edtimas, transformando-as em predadores violentos, cobertos de escamas, com tent\u00e1culos brotando da boca. O <em>Cordyceps<\/em> da vida real, no entanto, s\u00f3 infecta insetos como formigas, besouros, borboletas, mariposas e aranhas \u2014 o resto do enredo \u00e9 fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica.<\/p>\n<p>A realidade, no entanto, n\u00e3o requer zumbis de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica \u2014 fungos que mutilam e matam pessoas est\u00e3o se espalhando rapidamente no mundo hoje. Estimativas globais recentes indicam que h\u00e1 6,5 milh\u00f5es de infec\u00e7\u00f5es f\u00fangicas invasivas e cerca de 3,8 milh\u00f5es de mortes anualmente \u2014 e algumas dessas infec\u00e7\u00f5es est\u00e3o se tornando mais dif\u00edceis de tratar.<\/p>\n<p>Devido \u00e0 emergente resist\u00eancia microbiana a todos os medicamentos fungicidas existentes, em abril, a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) listou 19 esp\u00e9cies de fungos como prioridade cr\u00edtica, alta ou m\u00e9dia para o desenvolvimento de novos medicamentos. Fungos do g\u00eanero <em>Coccidioides<\/em>, que infectaram Irvin e Purdie, est\u00e3o na lista de prioridades da OMS.<\/p>\n<p>Embora as mortes associadas a superbact\u00e9rias sejam maiores do que as ligadas a fungos (4,7 milh\u00f5es versus 3,8 milh\u00f5es), existem centenas de antibi\u00f3ticos dispon\u00edveis para tratar bact\u00e9rias. Em contraste, apenas cerca de 17 medicamentos antif\u00fangicos est\u00e3o em uso, segundo os Centros de Controle e Preven\u00e7\u00e3o de Doen\u00e7as (CDC) dos EUA. Um dos motivos \u00e9 a dificuldade de fazer medicamentos que matem o fungo sem prejudicar os humanos.<\/p>\n<p>\u201cGeneticamente, os fungos s\u00e3o mais pr\u00f3ximos dos humanos do que das bact\u00e9rias\u201d, diz o especialista em doen\u00e7as infecciosas Neil Clancy, professor associado de medicina e diretor do programa de micologia da Universidade de Pittsburgh.<\/p>\n<p>\u201cSe voc\u00ea est\u00e1 tentando fazer um medicamento antif\u00fangico, precisa encontrar alvos que n\u00e3o prejudiquem genes e prote\u00ednas que os humanos t\u00eam\u201d, diz Clancy. \u201cAtualmente, o medicamento que usamos que melhor mata fungos reage com as c\u00e9lulas renais humanas, ent\u00e3o voc\u00ea pode acabar com insufici\u00eancia renal.\u201d<\/p>\n<p>Outros antif\u00fangicos podem causar impot\u00eancia, pancreatite, danos ao f\u00edgado e rea\u00e7\u00f5es al\u00e9rgicas graves.<\/p>\n<p>Infec\u00e7\u00f5es f\u00fangicas em pessoas saud\u00e1veis s\u00e3o tipicamente resolvidas com o tratamento antif\u00fangico atual, especialmente quando detectadas precocemente, segundo especialistas. As pessoas mais vulner\u00e1veis a infec\u00e7\u00f5es f\u00fangicas invasivas s\u00e3o aquelas com sistemas imunol\u00f3gicos enfraquecidos, possivelmente devido a quimioterapia, di\u00e1lise, HIV\/AIDS, medicamentos imunossupressores e transplantes de \u00f3rg\u00e3os ou c\u00e9lulas-tronco, segundo o CDC.<\/p>\n<p>No entanto, nem Irvin nem Purdie estavam imunocomprometidos quando contra\u00edram <strong>coccidioidomicose<\/strong>, ou <strong>cocci<\/strong>, a doen\u00e7a causada pelos fungos que inalaram. Como os pesquisadores identificaram primeiro o cocci no Vale San Joaquin da Calif\u00f3rnia, tamb\u00e9m \u00e9 conhecido como <strong>febre do vale<\/strong>.<\/p>\n<p>\u201cAlguns desses pacientes, apesar de n\u00e3o estarem imunossuprimidos, simplesmente n\u00e3o combatem bem a infec\u00e7\u00e3o\u201d, afirma o pesquisador de fungos George Thompson, professor de medicina da Escola de Medicina da Universidade da Calif\u00f3rnia, Davis.<\/p>\n<p>\u201cSe pud\u00e9ssemos descobrir o que h\u00e1 de diferente em seu sistema imunol\u00f3gico, talvez possamos aument\u00e1-lo para ajud\u00e1-los a combater o fungo\u201d, diz Thompson, o especialista que diagnosticou Irvin com febre do vale.<\/p>\n<h2>Os fungos resistentes mais perigosos<\/h2>\n<p><em>Cryptococcus neoformans<\/em>, que causa uma forma potencialmente fatal de meningite, encabe\u00e7ou a lista da OMS dos quatro parasitas f\u00fangicos que s\u00e3o prioridade cr\u00edtica para pesquisa e desenvolvimento de novos medicamentos. A taxa de mortalidade por uma infec\u00e7\u00e3o com <em>C. neoformans<\/em> \u00e9 extremamente alta, at\u00e9 61%, especialmente em pacientes com infec\u00e7\u00f5es por HIV.<\/p>\n<p><em>Aspergillus fumigatus<\/em>, um mofo que danifica os pulm\u00f5es e pode se espalhar para outras partes do corpo, ficou em segundo lugar na lista. \u201cO <em>Aspergillus<\/em> est\u00e1 em todo lugar \u2014 no seu solo, nas folhas que voc\u00ea rastela, na cobertura vegetal que voc\u00ea coloca\u201d, afirmaThompson. \u201c\u00c9 realmente dif\u00edcil de evitar e tem uma taxa de mortalidade associada muito alta \u2014 cerca de 40% em algumas pessoas \u2014 ent\u00e3o essa \u00e9 uma infec\u00e7\u00e3o para a qual precisamos desesperadamente de novos medicamentos.\u201d<\/p>\n<p><em>Candida auris<\/em> \u00e9 o terceiro na lista cr\u00edtica e \u00fanico em v\u00e1rios aspectos. Primeiro, o micr\u00f3bio j\u00e1 era resistente a todas as quatro classes de tratamentos fungicidas quando apareceu pela primeira vez nos Estados Unidos em 2013.<\/p>\n<p>\u201c<em>Candida auris<\/em> chegou com resist\u00eancia antif\u00fangica incorporada\u201d, diz Clancy, de Pitt. \u201cN\u00e3o requer o surgimento de novas muta\u00e7\u00f5es para desenvolver resist\u00eancia antif\u00fangica.\u201d<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m conhecido como <em>C. auris<\/em>, a levedura \u00e9 incomum porque \u00e9 \u201cpegajosa\u201d, aderindo tanto ao pl\u00e1stico quanto \u00e0 pele de maneiras que outras esp\u00e9cies de <em>Candida<\/em> n\u00e3o fazem, segundo o pesquisador de fungos Jatin Vyas, professor de medicina do Vagelos College of Physicians and Surgeons da Universidade Columbia em Nova York.<\/p>\n<p>Esta tenacidade f\u00fangica torna o <em>C. auris<\/em> extremamente dif\u00edcil de descontaminar quando encontrado em hospitais movimentados, casas de repouso e cl\u00ednicas de di\u00e1lise.<\/p>\n<p>\u201cUm paciente pode ser colonizado com <em>C. auris<\/em>, ent\u00e3o um profissional de sa\u00fade ou algu\u00e9m que cuida dele o toca e pega o organismo\u201d, afirma Vyas. \u201cOs cuidadores podem ent\u00e3o ser colonizados e pass\u00e1-lo de paciente para paciente.\u201d<\/p>\n<p>Em 2016, havia 51 casos cl\u00ednicos de <em>C. auris<\/em> em quatro estados, segundo o CDC. Em 2023 \u2014 apenas sete anos depois \u2014 4.514 casos cl\u00ednicos foram identificados em 36 estados. Os casos cl\u00ednicos da levedura multirresistente aumentaram 95% ano a ano apenas em 2021.<\/p>\n<p><em>Candida albicans<\/em>, um primo do <em>C. auris<\/em>, \u00e9 uma levedura comum que vive em pequenas quantidades na pele e na boca, garganta, intestinos e vagina. <em>C. albicans<\/em> \u00e9 o quarto na lista de pat\u00f3genos de prioridade cr\u00edtica da OMS. Como parte de um microbioma saud\u00e1vel, <em>C. albicans<\/em> vive pacificamente no corpo e pode at\u00e9 desempenhar um papel no aumento da imunidade. Quando esse equil\u00edbrio \u00e9 interrompido por antibi\u00f3ticos ou um imunossupressor, no entanto, pode causar infec\u00e7\u00f5es f\u00fangicas problem\u00e1ticas ou levar \u00e0 candid\u00edase invasiva resistente a antimicrobianos.<\/p>\n<p>\u201cAs infec\u00e7\u00f5es por <em>Candida<\/em> podem acabar na corrente sangu\u00ednea e, quando isso acontece, as taxas de mortalidade na literatura variam de 40% a 60%, mesmo com diagn\u00f3stico e tratamento imediatos\u201d, afirma Vyas.<\/p>\n<h2>\u201cFebre alta por si s\u00f3 poderia mat\u00e1-lo\u201d<\/h2>\n<p>Torrence Irvin come\u00e7ou a ter dificuldades para respirar em junho de 2018. Ele pensou que fosse um resfriado, ent\u00e3o n\u00e3o procurou um m\u00e9dico. Os sintomas persistiram e, em agosto, come\u00e7aram os v\u00f4mitos.<\/p>\n<p>\u201cEu vomitava tudo o que ingeria, fosse \u00e1gua ou s\u00f3lidos\u201d, afirma Irvin. \u201cMinha esposa encomendou sacos para v\u00f4mito e eu precisava ter um comigo, n\u00e3o importava onde eu fosse ou o que estivesse fazendo. Comecei a ficar mais fraco. Comecei a perder peso.\u201d<\/p>\n<p>Sua esposa h\u00e1 22 anos, Rhonda Smith-Irvin, ficou chocada com a rapidez com que seu marido se deteriorou.<\/p>\n<p>\u201cUma vez fomos ao hospital duas vezes em dois dias e, entre esses dias, ele perdeu 14 quilos \u2014 eu n\u00e3o podia acreditar\u201d, afirma. \u201cEst\u00e1vamos no hospital no Dia de A\u00e7\u00e3o de Gra\u00e7as, e ele ainda estava vomitando todos os dias, o dia todo.\u201d<\/p>\n<p>Dias no hospital se transformaram em semanas. Com um diagn\u00f3stico prim\u00e1rio de pneumonia, Irvin diz que os m\u00e9dicos n\u00e3o conseguiam entender por que ele n\u00e3o estava respondendo aos antibi\u00f3ticos. Ser diab\u00e9tico dificultou sua recupera\u00e7\u00e3o. Suas febres eram perigosamente altas e dif\u00edceis de tratar, segundo sua esposa, mesmo com gelo embalado em todo o seu corpo.<\/p>\n<p>\u201cEle nem sabia que estava tendo as febres, ent\u00e3o comecei a dormir na cama do hospital com ele para alertar as enfermeiras\u201d, afirma. \u201cElas me disseram que aquelas febres altas sozinhas poderiam mat\u00e1-lo.\u201d<\/p>\n<p>\u00c0 medida que sua sa\u00fade continuava a falhar, Irvin diz que foi colocado em um ventilador \u2014 \u201cCheguei ao ponto em que estava respirando com apenas 20% dos meus pulm\u00f5es\u201d \u2014 e lembra que precisou de tr\u00eas transfus\u00f5es de sangue.<\/p>\n<p>\u201cFoi assustador para n\u00f3s porque ele estava muito, muito doente\u201d, conta sua m\u00e3e, Brenda Irvin. \u201cEle ficava perguntando: \u2018Ser\u00e1 que vou morrer?\u2019, \u2018N\u00e3o, voc\u00ea n\u00e3o vai morrer\u2019, eu dizia a ele, \u2018Deus vai te curar&#8217;\u201d, afirma. \u201cSabe, eu n\u00e3o podia deix\u00e1-lo pensar nisso por causa da minha f\u00e9.\u201d<\/p>\n<h2>\u201cIsso pode acontecer com qualquer um\u201d<\/h2>\n<p>Por d\u00e9cadas, a cocci foi principalmente diagnosticada em agricultores e outros trabalhadores ao ar livre nas regi\u00f5es \u00e1ridas do deserto e vale do Arizona, Calif\u00f3rnia, Nevada, Novo M\u00e9xico e Texas \u2014 lugares onde os micr\u00f3bios <em>Coccidioides<\/em> prosperam. Hoje, no entanto, casos de cocci s\u00e3o encontrados em mais de 20 estados e chegaram at\u00e9 a Pensilv\u00e2nia e Maryland, segundo dados do CDC.<\/p>\n<p>\u201cO pensamento mais comum \u00e9 que voc\u00ea s\u00f3 pega isso se trabalhar ao ar livre em uma \u00e1rea empoeirada. Eu tinha um trabalho interno. Eu fazia planejamento de aposentadoria\u201d, diz Purdie.<\/p>\n<p>A crise clim\u00e1tica, o aumento dos inc\u00eandios florestais e as tempestades de poeira podem estar alimentando a propaga\u00e7\u00e3o, de acordo com pesquisas. Modelos da propaga\u00e7\u00e3o projetada de cocci preveem um aumento de 50% nos casos at\u00e9 2100.<\/p>\n<p>\u201cPode acontecer com qualquer pessoa. Lugar errado, hora errada, e eles acabam respirando esporos carregados pelo vento\u201d, afirma Thompson, da UC Davis. \u201cNa Calif\u00f3rnia Central, as pessoas contraem essa infec\u00e7\u00e3o apenas dirigindo pela Interstate 5.\u201d<\/p>\n<p>Quando Irvin descobriu a cl\u00ednica de Thompson em Sacramento em mar\u00e7o de 2019, ele precisava de um andador para percorrer curtas dist\u00e2ncias. Thompson logo colocou Irvin no medicamento experimental olorofim como parte de um ensaio cl\u00ednico de fase II para testar seu impacto no <em>Coccidioides<\/em>. O medicamento tamb\u00e9m est\u00e1 sendo testado para tratar o <em>Aspergillus fumigatus<\/em>, o mofo na lista cr\u00edtica da OMS.<\/p>\n<p>\u201cEu nunca tinha ouvido falar da febre do vale\u201d, afirma Irvin. \u201cMas o Dr. Thompson disse que est\u00e1vamos no ponto em que hav\u00edamos esgotado qualquer outra op\u00e7\u00e3o que t\u00ednhamos, ent\u00e3o minha esposa e eu est\u00e1vamos dispostos a tentar isso.\u201d<\/p>\n<p>Segundo Thompson, se Irvin n\u00e3o tivesse tido os recursos para encontrar um especialista e mudar seu tratamento, \u201cele provavelmente teria morrido de sua infec\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>\u201cMe preocupo ainda mais com nossos pacientes com menos recursos que podem ter um resultado muito ruim ou morrer porque n\u00e3o s\u00e3o vistos por m\u00e9dicos que trabalham com cocci e t\u00eam acesso a tratamentos de ponta\u201d, afirma Thompson. \u201cPrecisamos de mais m\u00e9dicos para tratar esses pacientes e precisamos investir no desenvolvimento de novos medicamentos.\u201d<\/p>\n<p>O olorofim \u00e9 um medicamento oral di\u00e1rio, o que significa que Irvin n\u00e3o precisou se submeter a infus\u00f5es intravenosas invasivas que outros medicamentos podem exigir durante seus mais de tr\u00eas anos de tratamento, segundo Thompson.<\/p>\n<p>\u201cTorrence n\u00e3o teve nenhum efeito colateral, mas alguns outros participantes do estudo apresentaram toxicidade hep\u00e1tica\u201d, diz Thompson. \u201cMas isso geralmente podia ser controlado interrompendo o medicamento, recome\u00e7ando com uma dose menor e depois aumentando com o tempo.\u201d<\/p>\n<p>Hoje, Irvin n\u00e3o est\u00e1 mais tomando olorofim, e exames posteriores n\u00e3o mostram ressurgimento da doen\u00e7a. No entanto, isso pode mudar. \u201cO Dr. Thompson me disse que eu sempre teria alguma forma de cocci no meu corpo, baseado no grau em que eu tive\u201d, afirma Irvin. \u201cAinda assim, passei de um andador para uma bengala, o que foi uma grande melhora para mim. Foi uma b\u00ean\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>\u201cAtualmente ainda estou afastado do trabalho por causa da doen\u00e7a, mas estou mais forte\u201d, afirma. \u201cVoltei \u00e0 academia para me exercitar. Recuperei muito do peso perdido.\u201d<\/p>\n<p>O dano aos seus pulm\u00f5es, no entanto, foi extenso, deixando tecido cicatricial que, segundo Irvin, o impede de se recuperar completamente.<\/p>\n<p>\u201cEu me pego entrando em p\u00e2nico quando tenho falta de ar, me perguntando se preciso ou n\u00e3o ser examinado\u201d, diz. \u201cGostaria de ter ouvido meu corpo quando fiquei doente pela primeira vez. Se eu tivesse respondido mais rapidamente ao que estava passando, talvez pudesse ter detectado isso antes de afetar meus pulm\u00f5es.\u201d<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a mensagem que Irvin quer transmitir ao mundo \u2014 especialmente para homens como ele que, como ele mesmo fazia, se veem como invenc\u00edveis.<\/p>\n<p>\u201cPrecisamos deixar nosso ego masculino de lado e ouvir nossos corpos porque ele nos dir\u00e1 quando algo est\u00e1 errado\u201d, afirma Irvin. \u201cPrecisamos prestar aten\u00e7\u00e3o, cuidar de n\u00f3s mesmos. Sa\u00fade \u00e9 riqueza. Isso vai longe.\u201d<\/p>\n<blockquote data-secret=\"SNtab4iRP5\">\n<p>Estudo: Micropl\u00e1sticos fortalecem bact\u00e9rias resistentes a antibi\u00f3ticos<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma nova amea\u00e7a de microrganismos super-resistentes est\u00e1 se espalhando pelo mundo. 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