{"id":15474,"date":"2025-05-02T05:32:13","date_gmt":"2025-05-02T08:32:13","guid":{"rendered":"https:\/\/csimaster.com\/noticia2025\/cuidados-no-puerperio-como-garantir-saude-fisica-e-emocional-no-pos-parto\/"},"modified":"2025-05-02T05:32:13","modified_gmt":"2025-05-02T08:32:13","slug":"cuidados-no-puerperio-como-garantir-saude-fisica-e-emocional-no-pos-parto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/csimaster.com\/noticia2025\/cuidados-no-puerperio-como-garantir-saude-fisica-e-emocional-no-pos-parto\/","title":{"rendered":"Cuidados no puerp\u00e9rio: como garantir sa\u00fade f\u00edsica e emocional no p\u00f3s-parto"},"content":{"rendered":"<div>\n<p>O <strong>puerp\u00e9rio<\/strong> \u00e9 uma das etapas mais desafiadoras da vida de quem acabou de dar \u00e0 luz. O per\u00edodo inicia-se logo ap\u00f3s o parto e, embora considere-se que ele dura cerca de seis semanas, n\u00e3o tem um tempo exato, e muitas m\u00e3es podem ter seus efeitos emocionais por mais tempo.<\/p>\n<p>Trata-se de um momento de intensas transforma\u00e7\u00f5es f\u00edsicas e emocionais, marcadas pela recupera\u00e7\u00e3o do corpo, os ajustes hormonais e a chegada de um novo ser \u00e0 rotina familiar.<\/p>\n<p>Nesta fase, n\u00e3o \u00e9 apenas o rec\u00e9m-nascido que precisa de cuidados. A pu\u00e9rpera tamb\u00e9m requer aten\u00e7\u00e3o \u2014 e n\u00e3o apenas m\u00e9dica, mas tamb\u00e9m psicol\u00f3gica, afetiva e pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Entenda a seguir por que o puerp\u00e9rio \u00e9 um per\u00edodo t\u00e3o delicado, quais s\u00e3o os cuidados mais importantes e como o autocuidado pode (e deve) fazer parte dessa jornada.<\/p>\n<h2>Desafios f\u00edsicos e emocionais do p\u00f3s-parto<\/h2>\n<p>O p\u00f3s-parto envolve dores, limita\u00e7\u00f5es e uma necessidade constante de repouso. Segundo a ginecologista e obstetra Carla Betarelli, do Hospital e Maternidade Pro Matre Paulista, alimenta\u00e7\u00e3o equilibrada, boa hidrata\u00e7\u00e3o e descanso adequado s\u00e3o essenciais para que a pu\u00e9rpera se recupere \u2014 e tamb\u00e9m para que consiga amamentar com seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cO corpo precisa se recuperar do parto \u2014 seja ele normal ou cesariana \u2014 e, ao mesmo tempo, estar bem para cuidar de uma nova vida que depende da m\u00e3e para tudo\u201d, explica.<\/p>\n<p>Mas o desafio vai al\u00e9m do f\u00edsico. O impacto emocional tamb\u00e9m \u00e9 significativo, especialmente por conta da queda repentina dos horm\u00f4nios, como a <strong>progesterona<\/strong>.<\/p>\n<p>\u201cAs oscila\u00e7\u00f5es hormonais geram algumas quest\u00f5es emocionais, tristeza f\u00e1cil e um pouquinho de ansiedade. Somado a isso, temos a novidade de um beb\u00ea, o que pode gerar um pouco de inseguran\u00e7a e um pouco de d\u00favida\u201d, completa Carla.<\/p>\n<h2>A amamenta\u00e7\u00e3o e seus obst\u00e1culos<\/h2>\n<p>Apesar de frequentemente idealizada, a amamenta\u00e7\u00e3o pode ser um processo doloroso e cheio de incertezas.\u00a0Muitas mulheres enfrentam dificuldades com a pega do beb\u00ea, feridas nos mamilos e medo de n\u00e3o conseguir produzir leite suficiente.<\/p>\n<p>Fernanda Andrade, coordenadora de Enfermagem da startup L2D Sa\u00fade Digital, relata como a educa\u00e7\u00e3o sobre o tema e o apoio \u00e0s pu\u00e9rperas nesse momento contribuem para tornar a amamenta\u00e7\u00e3o um momento mais tranquilo. Ela coordena o projeto da empresa na Santa Casa de Tatu\u00ed (SP) e no Hospital Municipal de Itupeva (SP), que acolhe mulheres durante o puerp\u00e9rio por 60 dias.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o m\u00e3es que relatam dor ao amamentar, sangramento da mama e do mamilo. Com a orienta\u00e7\u00e3o de como ter a pega correta ou a posi\u00e7\u00e3o adequada, conseguimos fazer com que o momento n\u00e3o seja sin\u00f4nimo de dificuldade ou dor.\u201d<\/p>\n<h2>Puerp\u00e9rio sem culpa<\/h2>\n<p>Conciliar os cuidados com o beb\u00ea e o autocuidado pode gerar culpa. Muitas m\u00e3es sentem que est\u00e3o negligenciando o rec\u00e9m-nascido quando tiram tempo para si.<\/p>\n<p>Para Fernanda, o desafio \u00e9, justamente, salientar o quanto o cuidado consigo mesma \u00e9 essencial para o bem-estar do beb\u00ea,<\/p>\n<blockquote>\n<p> se cuidar primeiro, para poder cuidar do beb\u00ea.\u201d\u201d]\u201cEu converso muito sobre isso: parece que junto com o beb\u00ea nasce tamb\u00e9m a culpa. \u00c9 isso que a gente tenta desmistificar. O principal \u00e9 mostrar que tem algu\u00e9m que depende dela. Ent\u00e3o, ela [precisa] se cuidar primeiro, para poder cuidar do beb\u00ea.\u201d <\/p>\n<p> <strong> \u201dFernanda <\/strong> <\/p><\/blockquote>\n<h2>Import\u00e2ncia da rede de apoio no puerp\u00e9rio<\/h2>\n<p>A adapta\u00e7\u00e3o entre m\u00e3e e beb\u00ea \u00e9 um processo intenso \u2014 e solit\u00e1rio, quando n\u00e3o h\u00e1 ajuda. A presen\u00e7a de pessoas que ajudem com tarefas simples, como cozinhar, limpar ou apenas ouvir, faz toda a diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cA rede de apoio \u00e9 importante para que ela consiga manter repouso. Essa pessoa pode preparar uma comidinha, limpar a casa dela\u2026 E isso muitas n\u00e3o tem\u201d, comenta Fernanda.<\/p>\n<h2>Desmistificando o puerp\u00e9rio<\/h2>\n<p>Os mitos ainda fazem parte do imagin\u00e1rio popular e impactam diretamente o bem-estar da mulher. Alguns dos mais comuns e que s\u00e3o considerados falsos, de acordo com Carla:<\/p>\n<ul>\n<li><strong>n\u00e3o poder levantar a cabe\u00e7a ap\u00f3s a anestesia:<\/strong> as t\u00e9cnicas atuais permitem que a mulher se levante e tome banho j\u00e1 no primeiro dia ap\u00f3s o parto;<\/li>\n<li><strong>n\u00e3o poder lavar os cabelos por 45 dias:<\/strong> higiene pessoal \u00e9 permitida e recomendada;<\/li>\n<li><strong>amamentar impede nova gravidez:<\/strong> amamenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 m\u00e9todo contraceptivo seguro;<\/li>\n<li><strong>s\u00f3 pode comer canja:<\/strong> alimenta\u00e7\u00e3o deve ser variada e equilibrada, inclusive com peixes e legumes.<\/li>\n<\/ul>\n<h2>Puerp\u00e9rio al\u00e9m das seis semanas<\/h2>\n<p>Tradicionalmente, o per\u00edodo \u00e9 considerado at\u00e9 42 ou 45 dias ap\u00f3s o parto. No entanto, atualmente discute-se a import\u00e2ncia de uma abordagem mais ampla e prolongada, que considere as particularidades de cada mulher.<\/p>\n<p>\u201cEssa vis\u00e3o do puerp\u00e9rio tardio e prolongado que, \u00e0s vezes, passa de 60 dias, depende muito de cada pessoa. Nesse intervalo de tempo, o corpo come\u00e7a a voltar ao normal. Mas, o foco \u00e9 restrito \u00e0 quest\u00e3o f\u00edsica (feridas operat\u00f3rias, os pontos, n\u00e3o fazer esfor\u00e7os e atividades f\u00edsicas, alimenta\u00e7\u00e3o), que \u00e9 muito importante. O aspecto psicol\u00f3gico, por\u00e9m, percebe-se que \u00e9 um t\u00f3pico muito mais amplo\u201d, comenta Fernanda.<\/p>\n<p>No projeto desenvolvido pela L2D Sa\u00fade, no qual a enfermeira faz parte, um dos objetivos \u00e9 promover o cuidado com a pu\u00e9rpera ao longo de dois meses com materiais acess\u00edveis e que tornem o per\u00edodo mais tranquilo.<\/p>\n<h2>Quando procurar ajuda m\u00e9dica?<\/h2>\n<p>A sa\u00fade mental merece aten\u00e7\u00e3o e devem ser sinalizada ao m\u00e9dico respons\u00e1vel.<\/p>\n<p>\u201cO blues puerperal pode acontecer entre 50 e 85% das mulheres no p\u00f3s-parto e \u00e9 caracterizado por labilidade emocional: um choro f\u00e1cil, tristeza sem uma causa muito espec\u00edfica, um pouco de ansiedade e \u00e0s vezes ins\u00f4nia (autolimitada e transit\u00f3ria) \u2014 mesmo a m\u00e3e estando muito cansada. Diferente da depress\u00e3o p\u00f3s-parto, que ocorre em at\u00e9 10% das mulheres puerperas \u00e9 considerada mais grave, exigindo avalia\u00e7\u00e3o m\u00e9dica\u201d, adiciona<\/p>\n<p>O desconforto e a dor s\u00e3o comuns no puerp\u00e9rio, mas alguns sinais exigem aten\u00e7\u00e3o imediata.\u00a0Dores que n\u00e3o passam com o uso de medica\u00e7\u00e3o, febre persistente, secre\u00e7\u00f5es na ferida cir\u00fargica ou vermelhid\u00e3o excessiva s\u00e3o indicativos de poss\u00edveis infec\u00e7\u00f5es. Infec\u00e7\u00f5es na ferida operat\u00f3ria, por sinal, \u00e9 uma das causas de mortalidade materna no p\u00f3s-parto.<\/p>\n<p>De acordo com o Painel de Monitoramento da Mortalidade Materna, mantido pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade a partir de dados do Sistema de\u00a0Informa\u00e7\u00f5es sobre Mortalidade, pelo menos 62 pessoas morreram em 2024 tendo como causa da morte infec\u00e7\u00e3o puerperal.<\/p>\n<p>J\u00e1 o Painel de \u00d3bitos de Gestantes e Pu\u00e9rperas do Observat\u00f3rio Obst\u00e9trico Brasileiro (OOBr) aponta que 400 mulheres morreram no puerp\u00e9rio no \u00faltimo ano (399 pessoas at\u00e9 42 dias; e 1 pessoa no intervalo de 43 dias at\u00e9 1 ano). Os dados de 2024 ainda s\u00e3o preliminares.<\/p>\n<p>Em 2023, o n\u00famero de mortes foi de 742 pessoas, todas nos 42 dias p\u00f3s-parto. O OOBr re\u00fane registros de \u00f3bitos de mulheres gestantes ou pu\u00e9rperas dos anos de 1996 a 2024.<\/p>\n<p>\u201cA preocupa\u00e7\u00e3o ainda fica muito em cima do beb\u00ea [no p\u00f3s-parto], deixando a sa\u00fade materna no plano. De forma alguma, n\u00e3o se deve preocupar com a sa\u00fade do beb\u00ea. O que queremos apontar \u00e9 sobre olhar para a sa\u00fade dos dois\u201d, diz Fernando Palma \u2013 Diretor de Projetos da L2D Sa\u00fade Digital. \u201cO foco \u00e9 no apoio ao bin\u00f4mio [m\u00e3e-filho]e \u00e0 fam\u00edlia\u201d, conclui Fernanda.<\/p>\n<blockquote data-secret=\"ln4CI9y6gt\">\n<p>Amamenta\u00e7\u00e3o protege m\u00e3e, beb\u00ea e meio ambiente, diz especialista<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O puerp\u00e9rio \u00e9 uma das etapas mais desafiadoras da vida de quem acabou de dar \u00e0 luz. 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