{"id":14877,"date":"2025-04-26T01:38:19","date_gmt":"2025-04-26T04:38:19","guid":{"rendered":"https:\/\/csimaster.com\/noticia2025\/perda-auditiva-na-meia-idade-pode-acelerar-o-declinio-cognitivo\/"},"modified":"2025-04-26T01:38:24","modified_gmt":"2025-04-26T04:38:24","slug":"perda-auditiva-na-meia-idade-pode-acelerar-o-declinio-cognitivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/csimaster.com\/noticia2025\/perda-auditiva-na-meia-idade-pode-acelerar-o-declinio-cognitivo\/","title":{"rendered":"Perda auditiva na meia-idade pode acelerar o decl\u00ednio cognitivo"},"content":{"rendered":"<div>\n<p>Estudo realizado com 805 brasileiros na faixa dos 50 anos confirmou que aqueles que apresentavam perda auditiva tinham risco aumentado de decl\u00ednio cognitivo. Os resultados, publicados no <em>Journal of Alzheimer\u2019s Disease<\/em>, apontam para a necessidade de ampliar a aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade auditiva como uma forma de preven\u00e7\u00e3o de dem\u00eancias.<\/p>\n<p>\u201cA perda auditiva \u00e9 o que chamamos de fator de risco modific\u00e1vel para as dem\u00eancias, entre elas Alzheimer, exatamente por ser pass\u00edvel\u00a0de identifica\u00e7\u00e3o e corre\u00e7\u00e3o. Em 2050, a previs\u00e3o \u00e9 que mais de 70% das pessoas com dem\u00eancias vivam em pa\u00edses de baixa e m\u00e9dia renda, como o Brasil. Por isso, \u00e9 importante ter estudos que identifiquem a nossa realidade e os fatores pass\u00edveis de preven\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m do peso individual, h\u00e1 tamb\u00e9m uma carga coletiva. N\u00e3o tem como o Brasil e outros pa\u00edses de baixa e m\u00e9dia renda envelhecerem com dem\u00eancia\u201d, afirmou Claudia Suemoto, professora da Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo (FM-USP) e autora do estudo.<\/p>\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o foi conduzida no \u00e2mbito do Estudo Longitudinal da Sa\u00fade do Adulto (ELSA-Brasil), que monitora dados de 15 mil funcion\u00e1rios p\u00fablicos de seis universidades e centros de pesquisa do pa\u00eds desde 2008. A iniciativa conta com financiamento do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq), ligado ao Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o (MCTI).<\/p>\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o audiol\u00f3gica e sua compara\u00e7\u00e3o com os dados sobre cogni\u00e7\u00e3o levantados pelo ELSA-Brasil contaram com o <strong>apoio<\/strong> da FAPESP.<\/p>\n<h2><strong>Mecanismos<\/strong><\/h2>\n<p>A perda auditiva geralmente tem in\u00edcio na meia-idade e \u00e9 um fator de risco reconhecido para dem\u00eancias. De acordo com Suemoto, isso ocorre por meio de dois mecanismos. O primeiro \u00e9 que a audi\u00e7\u00e3o \u00e9 uma importante via de entrada de informa\u00e7\u00e3o para o c\u00e9rebro.<\/p>\n<p>\u201cEle depende de vias de entrada para, junto com o conhecimento j\u00e1 adquirido, entregar uma resposta. Por\u00e9m, quando uma via \u00e9 interrompida, \u00e1reas importantes deixam de ser estimuladas, podendo acelerar o decl\u00ednio cognitivo\u201d, explica.<\/p>\n<p>J\u00e1 o segundo mecanismo \u00e9 comportamental: a perda auditiva tende a levar ao isolamento social. \u201cQuase todo mundo conhece algu\u00e9m mais velho, seja um amigo ou parente, que n\u00e3o escuta bem. Para conversar com essa pessoa \u00e9 preciso falar mais alto, repetir as frases e ela acaba sendo exclu\u00edda das conversas. De certa forma, \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil para ela ouvir que ela mesma se exclui, perde o interesse e se afasta. Portanto, existe tamb\u00e9m o mecanismo do isolamento social, que \u00e9 outro fator de risco reconhecido para dem\u00eancia\u201d, diz.<\/p>\n<p>No estudo, os participantes realizaram testes de audiometria, uma medida objetiva da qualidade da audi\u00e7\u00e3o, tr\u00eas vezes ao longo dos oito anos de investiga\u00e7\u00e3o. No mesmo per\u00edodo foram realizados testes de mem\u00f3ria, linguagem e fun\u00e7\u00e3o executiva, que aferiram a associa\u00e7\u00e3o entre perda auditiva e decl\u00ednio cognitivo acentuado.<\/p>\n<p>Dos 805 participantes, 62 (7,7%) apresentaram perda auditiva. Esses tiveram um decl\u00ednio cognitivo global mais r\u00e1pido que o esperado para a idade, ap\u00f3s um acompanhamento de oito anos. Al\u00e9m disso, os testes espec\u00edficos do dom\u00ednio cognitivo mostraram decl\u00ednios semelhantes, mas menos precisos, na mem\u00f3ria, flu\u00eancia verbal e fun\u00e7\u00e3o executiva.<\/p>\n<p>\u201cIsso mostra que \u00e9 importante realizar o teste de audiometria, porque geralmente demora at\u00e9 que a pessoa tenha consci\u00eancia do pr\u00f3prio d\u00e9ficit auditivo. Ela passa a ouvir mal, mas n\u00e3o se d\u00e1 conta e se adapta \u00e0 nova condi\u00e7\u00e3o. Mas sabendo que h\u00e1 perda \u00e9 poss\u00edvel corrigi-la com o uso de aparelhos. E tamb\u00e9m \u00e9 preciso tirar o est\u00edmulo que est\u00e1 causando o problema\u201d, alerta.<\/p>\n<p>Segundo a pesquisadora, os principais est\u00edmulos de perda auditiva na meia-idade s\u00e3o laborais. \u201cExistem diversos tipos de trabalhos que envolvem muito barulho. Essas pessoas t\u00eam de usar equipamento de prote\u00e7\u00e3o para diminuir o d\u00e9ficit auditivo. Tem tamb\u00e9m o problema do uso de fones de ouvido em volume muito alto. Tudo isso prejudica, ent\u00e3o \u00e9 importante haver o diagn\u00f3stico do problema\u201d, completa.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da perda auditiva, diz a pesquisadora, existem outros 11 potenciais fatores de risco modific\u00e1veis para as dem\u00eancias: baixa escolaridade, hipertens\u00e3o, les\u00e3o cerebral, diabetes, obesidade, alcoolismo, tabagismo, depress\u00e3o, sedentarismo, polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica e isolamento social.<\/p>\n<blockquote data-secret=\"MMcDf2feYO\">\n<p>Controlar press\u00e3o arterial pode prevenir dem\u00eancia, diz estudo<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo realizado com 805 brasileiros na faixa dos 50 anos confirmou que aqueles que apresentavam perda auditiva tinham risco aumentado de decl\u00ednio&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":47,"featured_media":14878,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_lmt_disableupdate":"","_lmt_disable":"","footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-14877","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-saude"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/csimaster.com\/noticia2025\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14877","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/csimaster.com\/noticia2025\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/csimaster.com\/noticia2025\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/csimaster.com\/noticia2025\/wp-json\/wp\/v2\/users\/47"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/csimaster.com\/noticia2025\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14877"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/csimaster.com\/noticia2025\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14877\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/csimaster.com\/noticia2025\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14878"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/csimaster.com\/noticia2025\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14877"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/csimaster.com\/noticia2025\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14877"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/csimaster.com\/noticia2025\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14877"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}