{"id":14509,"date":"2025-04-22T00:33:17","date_gmt":"2025-04-22T03:33:17","guid":{"rendered":"https:\/\/csimaster.com\/noticia2025\/alteracoes-cerebrais-estao-associadas-a-maior-risco-de-depressao-pos-parto\/"},"modified":"2025-04-22T00:33:21","modified_gmt":"2025-04-22T03:33:21","slug":"alteracoes-cerebrais-estao-associadas-a-maior-risco-de-depressao-pos-parto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/csimaster.com\/noticia2025\/alteracoes-cerebrais-estao-associadas-a-maior-risco-de-depressao-pos-parto\/","title":{"rendered":"Altera\u00e7\u00f5es cerebrais est\u00e3o associadas a maior risco de depress\u00e3o p\u00f3s-parto"},"content":{"rendered":"<div>\n<p>A transi\u00e7\u00e3o para a maternidade envolve uma transforma\u00e7\u00e3o hormonal profunda em todo o corpo da mulher, incluindo o c\u00e9rebro. Mudan\u00e7as sutis em algumas regi\u00f5es cerebrais durante a gravidez podem ajudar a explicar por que algumas mulheres desenvolvem depress\u00e3o p\u00f3s-parto.<\/p>\n<p>Um novo estudo, publicado na revista Science Advances, constatou que aquelas que apresentaram esse quadro mental tiveram aumento de volume em duas \u00e1reas envolvidas com emo\u00e7\u00f5es e estresse: as am\u00edgdalas e o hipocampo.<\/p>\n<p>Essas estruturas s\u00e3o essenciais para a regula\u00e7\u00e3o emocional e a forma\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria, mas ainda n\u00e3o se sabia se as experi\u00eancias no parto, um dos momentos mais intensos emocionalmente na vida de uma mulher, e o desenvolvimento da depress\u00e3o p\u00f3s-parto estariam associados a mudan\u00e7as nessas regi\u00f5es cerebrais. E foi isso que pesquisadores vinculados a diferentes institui\u00e7\u00f5es da Espanha investigaram no estudo recente.<\/p>\n<p>Os cientistas usaram exames de resson\u00e2ncia magn\u00e9tica para avaliar regi\u00f5es do c\u00e9rebro de 88 mulheres que estavam gr\u00e1vidas pela primeira vez e n\u00e3o tinham hist\u00f3rico de depress\u00e3o ou outros transtornos de sa\u00fade mental. Eles buscaram especialmente mudan\u00e7as de volume no hipocampo e nas am\u00edgdalas. Elas tamb\u00e9m responderam a um question\u00e1rio sobre sua experi\u00eancia no parto. No grupo controle, 30 mulheres que nunca tiveram filhos foram monitoradas.<\/p>\n<p>Os pesquisadores ressaltam que o estado psicol\u00f3gico da m\u00e3e molda o parto em uma experi\u00eancia profundamente subjetiva. Enquanto algumas mulheres percebem seu parto como uma experi\u00eancia positiva, sentindo intensa alegria, orgulho e realiza\u00e7\u00e3o, outras o descrevem como traum\u00e1tico. Por isso, um parto angustiante e complicado pode levar a sintomas de estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico ou depress\u00e3o p\u00f3s-parto.<\/p>\n<p>Mulheres que tiveram experi\u00eancias ruins durante o parto apresentaram aumento bilateral no hipocampo. E aquelas que manifestaram sintomas de depress\u00e3o durante o periparto (que inclui o per\u00edodo final da gravidez e os meses seguintes ap\u00f3s dar \u00e0 luz) estavam com a am\u00edgdala cerebral direita aumentada.<\/p>\n<p>Segundo o estudo, quanto maior \u00e9 o crescimento do volume da am\u00edgdala direita, maior o aumento nos sintomas de depress\u00e3o perinatal; e quanto pior a experi\u00eancia do parto, maior o aumento bilateral do volume no hipocampo.<\/p>\n<p>\u201cEsse achado \u00e9 muito importante\u201d, afirma o ginecologista e obstetra R\u00f4mulo Negrini, coordenador m\u00e9dico materno-infantil do Hospital Israelita Albert Einstein. \u201cOs autores frisam a correla\u00e7\u00e3o da am\u00edgdala direita com a depress\u00e3o p\u00f3s-parto porque a depress\u00e3o \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o que requer tratamento. A quest\u00e3o da experi\u00eancia do parto \u00e9 muito individual e merece uma aten\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica. Mas a depress\u00e3o pode ser algo mais grave e permanente.\u201d<\/p>\n<h2>Um problema comum<\/h2>\n<p>De acordo com a pesquisa espanhola, entre 7% e 44% das m\u00e3es descrevem seu parto como traum\u00e1tico, 10% desenvolvem transtorno de estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico relacionado ao nascimento do filho e 17% sofrem de depress\u00e3o p\u00f3s-parto. No Brasil, segundo estimativas da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz), o quadro afeta cerca de 25% das m\u00e3es.<\/p>\n<p>Logo ap\u00f3s darem \u00e0 luz, cerca de 80% das mulheres v\u00e3o vivenciar o baby blues \u2014 conjunto de sentimentos que costuma ser confundido com depress\u00e3o p\u00f3s-parto: choro constante, tristeza, ang\u00fastia, excesso de sensibilidade, irritabilidade e ansiedade s\u00e3o alguns dos sintomas. Mas eles s\u00e3o transit\u00f3rios, duram de duas a tr\u00eas semanas e costumam regredir espontaneamente. A depress\u00e3o p\u00f3s-parto, ao contr\u00e1rio, n\u00e3o desaparece e pode trazer outras complica\u00e7\u00f5es e consequ\u00eancias, inclusive no aspecto afetivo, atrapalhando o v\u00ednculo entre m\u00e3e e beb\u00ea.<\/p>\n<p>Apesar de os resultados da pesquisa espanhola ainda n\u00e3o trazerem uma mudan\u00e7a efetiva na pr\u00e1tica cl\u00ednica \u2013 afinal, n\u00e3o d\u00e1 para fazer resson\u00e2ncia magn\u00e9tica em todas as mulheres gr\u00e1vidas \u2013, as descobertas refor\u00e7am a import\u00e2ncia de monitorar as experi\u00eancias perinatais e a sa\u00fade mental da gestante durante o pr\u00e9-natal.<\/p>\n<p>\u201cSe h\u00e1 um alto risco [de depress\u00e3o p\u00f3s-parto], posso fazer o exame logo ap\u00f3s o parto e detectar essas altera\u00e7\u00f5es cerebrais antes de a depress\u00e3o aparecer, por exemplo\u201d, prop\u00f5e Negrini. \u201cA partir disso, posso tomar atitudes preventivas, como fazer psicoterapia, organizar o estilo de vida e manter uma rede de apoio para que essa mulher n\u00e3o desenvolva depress\u00e3o.\u201d<\/p>\n<blockquote data-secret=\"t0YBIs8sCE\">\n<p>Ocitocina pode ajudar no tratamento da obesidade e depress\u00e3o p\u00f3s-parto<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A transi\u00e7\u00e3o para a maternidade envolve uma transforma\u00e7\u00e3o hormonal profunda em todo o corpo da mulher, incluindo o c\u00e9rebro. 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