{"id":12931,"date":"2025-04-06T19:31:21","date_gmt":"2025-04-06T22:31:21","guid":{"rendered":"https:\/\/csimaster.com\/noticia2025\/leoes-marinhos-atacam-banhistas-na-costa-da-california-saiba-por-que\/"},"modified":"2025-04-06T19:31:24","modified_gmt":"2025-04-06T22:31:24","slug":"leoes-marinhos-atacam-banhistas-na-costa-da-california-saiba-por-que","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/csimaster.com\/noticia2025\/leoes-marinhos-atacam-banhistas-na-costa-da-california-saiba-por-que\/","title":{"rendered":"Le\u00f5es-marinhos atacam banhistas na costa da Calif\u00f3rnia; saiba por qu\u00ea"},"content":{"rendered":"<div>\n<p>Le\u00f5es-marinhos, geralmente curiosos e brincalh\u00f5es, t\u00eam surpreendido ao atacar banhistas dentro da \u00e1gua ao longo da costa sul da Calif\u00f3rnia.<\/p>\n<p>Pheobe Beltran, uma garota de 15 anos da cidade de Long Beach, estava nadando em 30 de mar\u00e7o, quando um le\u00e3o-marinho atacou seu bra\u00e7o direito.<\/p>\n<p>\u201cEu estava t\u00e3o assustada, t\u00e3o chocada, mas ainda sentia a dor imensa em meus bra\u00e7os, repetidamente\u201d, contou Beltran \u00e0 KCAL, <strong>afiliada da CNN<\/strong>, que estava terminando um treino de nata\u00e7\u00e3o para se tornar uma salva-vidas j\u00fanior.<\/p>\n<p>O bra\u00e7o de Beltran est\u00e1 coberto de mordidas, hematomas e arranh\u00f5es, apesar de n\u00e3o ter precisado de pontos.<\/p>\n<p>Nas praias do Condado de Ventura, em 21 de mar\u00e7o, um surfista foi mordido por um le\u00e3o-marinho em \u00e1guas abertas. O ataque o deixou \u201cabalado\u201d, segundo ele.<\/p>\n<p>RJ LaMendola contou nas redes sociais que o animal \u201csurgiu da \u00e1gua e se arremessou contra ele em alta velocidade\u201d. A express\u00e3o do le\u00e3o-marinho \u201cera selvagem, quase demon\u00edaca\u201d.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o havia a curiosidade ou brincadeira que sempre associei aos le\u00f5es-marinhos\u201d, escreveu LaMendola nsobre a \u201cexperi\u00eancia angustiante e traum\u00e1tica\u201d, que tamb\u00e9m incluiu uma persegui\u00e7\u00e3o do le\u00e3o-marinho por todo o caminho de volta \u00e0 costa.<\/p>\n<h2>Intoxica\u00e7\u00e3o por alga marinha<\/h2>\n<p>A explica\u00e7\u00e3o dos ataques seria menos demon\u00edaca e, provavelmente, causada por uma intoxica\u00e7\u00e3o por \u00e1cido domoico, desencadeada pela prolifera\u00e7\u00e3o de algas t\u00f3xicas, segundo os especialistas. O fen\u00f4meno \u00e9 conhecido como \u201cmar\u00e9 vermelha\u201d.<\/p>\n<p>Especialistas dizem ainda que os animais est\u00e3o sendo envenenados pelo oceano em que vivem. H\u00e1 relatos de le\u00f5es-marinhos doentes em n\u00edveis sem precedentes, e muitos est\u00e3o morrendo.<\/p>\n<p>\u201cOs le\u00f5es-marinhos est\u00e3o chegando na costa quase em coma quando encalham. Algo est\u00e1 acontecendo porque parece pior em v\u00e1rios n\u00edveis\u201d, disse John Warner, CEO do Marine Mammal Care Center em Los Angeles, \u00e0 <strong>CNN<\/strong>. \u201cMas em termos de volume, \u00e9 definitivamente o pior que j\u00e1 vimos.\u201d<\/p>\n<p>Quando a toxina neurol\u00f3gica entra no sistema alimentar dos le\u00f5es-marinhos, isso faz com que tenham dificuldade para respirar e sofram convuls\u00f5es, incluindo um tipo de convuls\u00e3o chamado \u201cobserva\u00e7\u00e3o das estrelas\u201d, em que os animais estendem as cabe\u00e7as para tr\u00e1s por um tempo anormalmente longo com os olhos fechados.<\/p>\n<p>\u201cQuando s\u00e3o afetados por essa toxina, eles ficam loucos\u201d, disse Warner. \u201cEles ficam totalmente desorientados e assustados. Eles realmente n\u00e3o entendem onde est\u00e3o. Est\u00e3o lutando para sair da \u00e1gua, para n\u00e3o se afogarem.\u201d<\/p>\n<p>Durante esse tempo, os le\u00f5es-marinhos podem experimentar um \u201ccomportamento agressivo ou assustado de luta ou fuga hiperenerg\u00e9tica\u201d, disse Warner, acrescentando: \u201cse algu\u00e9m nada ou anda perto deles e o animal n\u00e3o os v\u00ea, \u00e9 a\u00ed que algumas intera\u00e7\u00f5es negativas podem ocorrer.\u201d<\/p>\n<p>O centro marinho recebe de 3 mil a 4 mil chamadas por ano sobre animais doentes e encalhados quando n\u00e3o h\u00e1 emerg\u00eancia. Nas \u00faltimas cinco semanas, houve mais de 2 mil chamadas, um volume considerado \u201ctsunami\u201d de liga\u00e7\u00f5es fora do comum.<\/p>\n<figure aria-describedby=\"caption-attachment-12602251\" id=\"attachment_12602251\"> <label for=\"checkbox_attachment_12602251\"> <span><\/span> <\/label><figcaption id=\"caption-attachment-12602251\">Marcas de mordidas de le\u00e3o-marinho s\u00e3o vistas no bra\u00e7o de Phoebe Beltran \u2022 KCAL\/KCBS via CNN Newsource<\/figcaption><\/figure>\n<h2>Mudan\u00e7a clim\u00e1tica e efeitos indesejados no ecossistema<\/h2>\n<p>A toxina, \u00e1cido domoico, est\u00e1 naturalmente presente no Oceano Pac\u00edfico. Agora, um processo chamado ressurg\u00eancia \u00e9 respons\u00e1vel por empurrar o \u00e1cido para a cadeia alimentar aqu\u00e1tica.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que os ventos agitam a \u00e1gua fria da costa do sul da Calif\u00f3rnia, sedimentos ricos em nutrientes s\u00e3o levantados do fundo do oceano e se tornam alimento para criaturas menores na \u00e1gua, que s\u00e3o comidas por outras maiores, como pelicanos, baleias e todos os tipos de peixes.<\/p>\n<p>Os nutrientes s\u00e3o uma \u201cenorme quantidade de alimento que est\u00e1 em todo lugar no len\u00e7ol fre\u00e1tico\u201d, disse Warner ao explicar como as algas t\u00f3xicas entram na cadeia alimentar dos animais.<\/p>\n<p>As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas causadas pelo homem tamb\u00e9m causam efeitos indesejados no ecossistema, pois alimentam a enorme quantidade de algas t\u00f3xicas, disse Warner. As temperaturas mais quentes na superf\u00edcie do oceano s\u00e3o mais \u00e1cidas, o que favorece as algas.<\/p>\n<p>O fertilizante de nitrog\u00eanio da agricultura tamb\u00e9m est\u00e1 indo para o oceano, carregado por rios e c\u00f3rregos, o que alimenta as algas assim como alimenta as plantas em terra.<\/p>\n<p>Antes, as flora\u00e7\u00f5es de algas aconteciam a cada poucos anos, agora acontecem anualmente, de acordo com Warner. Por causa disso, h\u00e1 um efeito grande nos predadores, como os le\u00f5es-marinhos, golfinhos e p\u00e1ssaros marinhos, segundo o especialista.<\/p>\n<figure aria-describedby=\"caption-attachment-12602245\" id=\"attachment_12602245\"> <label for=\"checkbox_attachment_12602245\"> <span><\/span> <\/label><figcaption id=\"caption-attachment-12602245\">Le\u00e3o-marinho da Calif\u00f3rnia doente com poss\u00edvel envenenamento por \u00e1cido dom\u00f3ico \u00e9 resgatado para ser avaliado por volunt\u00e1rios em Santa B\u00e1rbara, Calif\u00f3rnia, em 25 de mar\u00e7o \u2022 David Swanson\/AFP\/Getty Images via CNN Newsource<\/figcaption><\/figure>\n<h2>Quantidade extrema de algas marinhas t\u00f3xicas<\/h2>\n<p>Em 2023, o Marine Mammal Care Center relatou o pior evento de algas na hist\u00f3ria registrada no sul da Calif\u00f3rnia. Este ano, al\u00e9m do aumento de animais adoecidos, h\u00e1 tamb\u00e9m o aumento da intensidade da doen\u00e7a, com mais animais encontrados encalhados nas praias.<\/p>\n<p>\u201cEm algum lugar entre 50% a 65% dos animais se recuperar\u00e3o e voltar\u00e3o para o oceano\u201d, analisa Warner. Ele tamb\u00e9m explica que os n\u00edveis de toxicidade no oceano est\u00e3o muito mais altos este ano e est\u00e1 se mostrando mais dif\u00edcil curar alguns le\u00f5es-marinhos.<\/p>\n<p>\u201cTemos alguns animais que monitoramos h\u00e1 tr\u00eas semanas, mas ainda est\u00e7\u00e3o em um estado de coma. N\u00e3o sabemos quantos deles v\u00e3o se recuperar\u201d, disse o especialista.<\/p>\n<p>Isso pode significar uma menor taxa de sobreviv\u00eancia em compara\u00e7\u00e3o com as anteriores.<\/p>\n<figure aria-describedby=\"caption-attachment-12602240\" id=\"attachment_12602240\"> <label for=\"checkbox_attachment_12602240\"> <span><\/span> <\/label><figcaption id=\"caption-attachment-12602240\">Le\u00e3o-marinho da Calif\u00f3rnia encalhado, sofrendo de suspeita de envenenamento por \u00e1cido domoico, deitado na praia em 27 de mar\u00e7o em Oxnard, Calif\u00f3rnia \u2022 Mario Tama\/Getty Images via CNN Newsource<\/figcaption><\/figure>\n<h2>Trabalho para devolver sa\u00fade os animais<\/h2>\n<p>Cerca de 80% dos le\u00f5es-marinhos tratados pelo centro marinho em 2025 est\u00e3o prenhas. Muitas vezes, o \u00e1cido domoico t\u00f3xico for\u00e7a as m\u00e3es a expelir seus fetos para sobreviver.<\/p>\n<p>\u201cCada dia que a f\u00eamea ainda est\u00e1 gr\u00e1vida isso pode afetar a taxa de sobreviv\u00eancia dela e do filhote\u201d, disse Warner, acrescentando que a popula\u00e7\u00e3o geral de le\u00f5es-marinhos ainda \u00e9 robusta, mas que essa tend\u00eancia pode ter implica\u00e7\u00f5es para a esp\u00e9cie no futuro.<\/p>\n<p>\u201cEst\u00e1 chegando ao ponto em que filhotes tamb\u00e9m est\u00e3o encalhando em grandes n\u00fameros\u201d, disse Warner.<\/p>\n<p>Para devolver a sa\u00fade aos animis, o Marine Mammal Care Center trabalha para eliminar a toxina dos le\u00f5es marinhos.<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m de dar os medicamentos anticonvulsivantes que evitar\u00e3o danos cerebrais permanentes, tamb\u00e9m estamos dando muitos fluidos, muita nutri\u00e7\u00e3o para eliminar isso do sistema\u201d, disse Warner, explicando que no come\u00e7o eles alimentam os le\u00f5es-marinhos por sonda duas vezes ao dia.<\/p>\n<p>Em cerca de uma semana,\u00a0 aos animais normalmente conseguem voltar a se alimentar, mas este ano a recupera\u00e7\u00e3o est\u00e1 demorando mais.<\/p>\n<h2>Envenenamento \u00e9 mortal para golfinhos<\/h2>\n<p>No caso dos golfinhos, a toxina \u00e9 fatal.\u00a0Este ano \u00e9 o pior que o centro j\u00e1 testemunhou para os mam\u00edferos, com mais de 70 encalhes somente no Condado de Los Angeles.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o h\u00e1 reabilita\u00e7\u00e3o que funcione com golfinhos. Na maioria das vezes, quando encalharam j\u00e1 estavam mortos\u201d, explicou Warner. \u201cA melhor coisa que podemos fazer \u00e9 uma eutanasia de forma mais humana, o que, infelizmente, tivemos que fazer mais do que nunca.\u201d<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Le\u00f5es-marinhos, geralmente curiosos e brincalh\u00f5es, t\u00eam surpreendido ao atacar banhistas dentro da \u00e1gua ao longo da costa sul da Calif\u00f3rnia. Pheobe Beltran,&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":122,"featured_media":12932,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_lmt_disableupdate":"","_lmt_disable":"","footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-12931","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-internacional"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/csimaster.com\/noticia2025\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12931","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/csimaster.com\/noticia2025\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/csimaster.com\/noticia2025\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/csimaster.com\/noticia2025\/wp-json\/wp\/v2\/users\/122"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/csimaster.com\/noticia2025\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12931"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/csimaster.com\/noticia2025\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12931\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/csimaster.com\/noticia2025\/wp-json\/wp\/v2\/media\/12932"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/csimaster.com\/noticia2025\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12931"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/csimaster.com\/noticia2025\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12931"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/csimaster.com\/noticia2025\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12931"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}