{"id":12624,"date":"2025-04-03T18:31:17","date_gmt":"2025-04-03T21:31:17","guid":{"rendered":"https:\/\/csimaster.com\/noticia2025\/olhar-medico-vale-mais-que-avaliacao-de-ia-diz-estudo\/"},"modified":"2025-04-03T18:31:27","modified_gmt":"2025-04-03T21:31:27","slug":"olhar-medico-vale-mais-que-avaliacao-de-ia-diz-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/csimaster.com\/noticia2025\/olhar-medico-vale-mais-que-avaliacao-de-ia-diz-estudo\/","title":{"rendered":"Olhar m\u00e9dico vale mais que avalia\u00e7\u00e3o de IA, diz estudo"},"content":{"rendered":"<div>\n<p>A primeira impress\u00e3o \u00e9 a que fica. O ditado popular que expressa a capacidade humana de analisar e criar conclus\u00f5es de forma r\u00e1pida tamb\u00e9m vale para a sala de emerg\u00eancia de hospitais, sugere estudo feito com 725 adultos atendidos no Hospital das Cl\u00ednicas da Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo (FM-USP).<\/p>\n<p>Apoiado pela Fapesp e publicado\u00a0no\u00a0BMJ Supportive &#038; Palliative Care, o trabalho mostrou que, na compara\u00e7\u00e3o entre a <strong>opini\u00e3o do m\u00e9dico emergencista<\/strong> sobre a probabilidade de recupera\u00e7\u00e3o do paciente e um <strong>escore preditivo calculado por um modelo de intelig\u00eancia artificial (IA)<\/strong>, a impress\u00e3o humana se aproximou mais da realidade, com taxa de <strong>79,2%.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cEm um mundo de modelos preditivos baseados em intelig\u00eancia artificial, o estudo buscou analisar o valor do olhar m\u00e9dico e a import\u00e2ncia da primeira impress\u00e3o deste profissional sobre o doente. Eu sou um grande entusiasta de IA, mas os resultados trazem algo que vai na contram\u00e3o do que estamos estudando atualmente: o olhar do m\u00e9dico importa e muito\u201d, afirma\u00a0J\u00falio C\u00e9sar Garcia de Alencar, professor da Faculdade de Medicina\u00a0de Bauru (FMBRU-USP) e coautor do artigo.<\/p>\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o consistiu em perguntar para m\u00e9dicos emergencistas se eles se surpreenderiam caso o paciente rec\u00e9m-atendido na sala de emerg\u00eancia viesse a falecer em um ano.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s essa primeira an\u00e1lise, o grupo de pesquisadores acompanhou os 725 pacientes durante a interna\u00e7\u00e3o para checar se o desfecho condizia com a opini\u00e3o dos profissionais. Todos participantes do estudo foram classificados como casos graves.<\/p>\n<p>\u201cO interessante aqui \u00e9 notar que o m\u00e9dico tinha poucas informa\u00e7\u00f5es sobre as condi\u00e7\u00f5es pr\u00e9vias de sa\u00fade do paciente, apenas o relato do enfermeiro que fez a triagem, com a queixa principal do indiv\u00edduo e a classifica\u00e7\u00e3o de risco baseada no protocolo de Manchester, que orienta sobre a urg\u00eancia de atendimento por meio do uso de pulseiras com diferentes cores [vermelho, risco de morte; laranja, casos urgentes; amarelo, risco n\u00e3o imediato; verde, casos menos graves; e azul, sem urg\u00eancia]. Era s\u00f3 o olhar, o conhecimento dele e as experi\u00eancias anteriores que, de fato, contaram para essa avalia\u00e7\u00e3o\u201d, explica Alencar.<\/p>\n<p>O trabalho comparou os resultados com um escore cl\u00ednico preditivo potencialmente utilizado em IA. \u201cConfrontamos a opini\u00e3o dos m\u00e9dicos com o The Quick Sequential Organ Failure Assessment [qSOFA], um escore validado desde 2016 e que vem ganhando espa\u00e7o na medicina justamente por ter\u00a0poucas vari\u00e1veis cl\u00ednicas, como frequ\u00eancia respirat\u00f3ria, press\u00e3o arterial e n\u00edvel de consci\u00eancia\u201d, conta.<\/p>\n<h2>Desdobramentos<\/h2>\n<p>Al\u00e9m de explorar a quest\u00e3o <strong>humanos versus m\u00e1quina<\/strong>, o estudo apresenta desdobramentos interessantes, que podem ser implantados na sala de emerg\u00eancia dos hospitais. Isso porque o trabalho \u00e9 o primeiro a utilizar a pergunta surpresa (voc\u00ea se surpreenderia se o paciente atendido viesse a falecer em um ano?) no departamento de emerg\u00eancia.<\/p>\n<p>A pergunta surpresa \u00e9 uma estrat\u00e9gia validada como ferramenta de triagem para pacientes que deveriam ser acompanhados por equipes de cuidados paliativos \u2014 abordagem m\u00e9dica que melhora a qualidade de vida de pacientes e familiares diante de doen\u00e7as terminais, por meio do al\u00edvio do sofrimento e tratamento da dor.<\/p>\n<p>Estudos anteriores j\u00e1 tinham demonstrado a acur\u00e1cia da pergunta surpresa em grupos espec\u00edficos, como pacientes que fazem hemodi\u00e1lise ou com doen\u00e7a de Alzheimer.<\/p>\n<p>No estudo realizado na sala de emerg\u00eancia do Hospital das Cl\u00ednicas de S\u00e3o Paulo, os m\u00e9dicos afirmaram, em 20% dos casos, que n\u00e3o se surpreenderiam se os pacientes admitidos viessem a falecer em um ano. \u201cIsso mostra que existe algum crit\u00e9rio, pensando em terminalidade. Portanto, h\u00e1 a necessidade de, no futuro, adequar as condutas do Departamento de Emerg\u00eancia ao progn\u00f3stico do paciente, ou seja, trazer a possibilidade de cuidados paliativos j\u00e1 para a sala de emerg\u00eancia, para prestar assist\u00eancia ao doente e \u00e0 sua fam\u00edlia\u201d, diz Alencar \u00e0 ag\u00eancia Fapesp.<\/p>\n<p>O pesquisador ressaltou, no entanto, que s\u00e3o necess\u00e1rios mais estudos antes de implementar alguma interven\u00e7\u00e3o nesse sentido. \u201cEssa \u00e9 a fase dois do nosso projeto. O pr\u00f3ximo passo ser\u00e1 investigar a possibilidade de um plano de interven\u00e7\u00f5es com base nos cuidados paliativos para esse paciente\u201d, adianta.<\/p>\n<h2>Veja tamb\u00e9m: Intelig\u00eancia artificial pode gerar \u201caniquila\u00e7\u00e3o global\u201d, dizem especialistas<\/h2>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A primeira impress\u00e3o \u00e9 a que fica. 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